A manhã chegou devagar, filtrando-se pelas frestas das cortinas com uma luz pálida e preguiçosa. O cheiro da chuva ainda pairava no ar. Era uma mistura de terra molhada, ar frio, silêncio de fazenda. Tudo parecia suspenso, como se o mundo lá fora esperasse o primeiro movimento dentro daquele quarto.
Taylor despertou com o som distante de um galo e uma dor latejante na cabeça que parecia castigo divino. Um gemido rouco escapou de sua garganta, e ele apertou os olhos, tentando se lembrar da noite anterior.
Só fragmentos: o gosto amargo da bebida, a chuva, o barulho da porta batendo, o olhar de Lila e o vazio enorme que vinha depois.
Virou-se devagar, sentindo a cabeça girar. O lençol estava amarrotado, o corpo pesado, e o mundo rodava como se o chão fosse mar. Quando abriu os olhos, viu Lila sentada na poltrona, em silêncio. O cabelo solto, com o olhar fixo nele. Um olhar intenso, magoado, mas sereno demais para ser apenas raiva.
Por um instante, ele não conseguiu dizer nada. A garganta secou, e a culpa atravessou como espinho.
— Lila… — murmurou, com a voz rouca, arrastada.
Ela não respondeu de imediato. Apenas o observava, com braços cruzados e os olhos que pareciam saber de tudo. Taylor se sentou na cama com dificuldade, passando as mãos pelo rosto e soltando um longo suspiro.
— Eu… — começou, hesitando — ...fui um idiota.
O som da própria voz pareceu feri-lo.
— Desculpa — disse por fim, num sussurro. — Por tudo o que falei, pelo vexame, por te preocupar…
Lila respirou fundo, sentindo o peito subir e descer devagar. Levantou-se com calma e caminhou até ele. Os passos dela eram suaves, mas cada um parecia pesar mais do que o anterior.
— Taylor… — ela começou, e a voz saiu baixa, firme, cheia de cansaço e ternura ao mesmo tempo. — Nunca duvide do que eu sinto por você.
Ele levantou o rosto, e o olhar dela se encontrou com o dele. Por um instante, o tempo parou.
Lila ergueu a mão e tocou o rosto dele devagar, com cuidado, como quem teme que o outro desapareça. O polegar deslizou pela barba por fazer, e Taylor fechou os olhos, respirando fundo, absorvendo aquele toque como um homem sedento.
— Eu sei. — Ele murmurou. — Eu só… não devia ter entrado no jogo dele.
— O Leo foi um idiota. — Lila respondeu, simples, sincera.
Taylor deixou escapar um pequeno riso cansado, mas Lila logo continuou:
— A culpa é sua.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Minha?
— É. — Ele sorriu de lado, ainda com os olhos semicerrados. — Porque eu te amo demais.
Antes que ela pudesse retrucar, ele levou a mão à cabeça e gemeu teatralmente, reclinando-se na cama de novo, e afundando o corpo grande no colchão.
— Ai, pequena… tô morrendo. — A voz saiu manhosa, quase infantil, com um sorriso preguiçoso. — Minha cabeça tá girando, meu estômago parece um curral… e eu acho que tô sentindo cheiro de café.
Lila cruzou os braços, tentando conter o riso.
— Bem feito. Quem mandou beber feito um cavalo?
Ele abriu um olho, olhando pra ela com um ar pidão, um meio sorriso torto se formando no canto da boca.
— Cuida de mim? — pediu, com a voz baixa, rouca, exagerando o tom de vítima. — Tô tão fraco… acho que nem consigo levantar esse braço direito.
— Taylor, pelo amor de Deus… — ela tentou manter a seriedade, mas o riso ameaçava escapar.
— Lila… — ele insistiu, estendendo a mão na direção dela. — Meu amor, minha pequena… você não vai me deixar morrer sozinho, vai?
Ela bufou, virando o rosto, mas os lábios tremiam de vontade de sorrir.
— Você é impossível.

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