Taylor Remington Miller
Eu te amo. — confessei, com a voz embargada. — Te amo como nunca amei ninguém, Lila. E não é da boca pra fora. É daqui — toquei o próprio peito, sentindo o coração bater descompassado. — De um lugar que eu nem sabia que existia até você aparecer.
Ela fechou os olhos, as lágrimas deslizando silenciosas.
— Taylor… — sussurrou, encostando a testa na minha.
— Você mudou tudo, princesa. — continuei, sem conseguir parar. — A forma como eu acordo, o jeito que eu enxergo o mundo, o que eu quero ser. Antes de você, eu só vivia por costume. Agora… agora eu tenho um motivo.
Lila respirou fundo, tremendo nos meus braços. Eu senti o coração dela bater contra o meu peito — rápido, sincero e foi impossível não sorrir.
Beijei a palma da mão dela, depois a testa, depois o nariz. Colamos nossas testas de novo. Quis guardar o cheiro do momento, o peso leve do corpo dela sobre o meu, a certeza pequenina e imensa do que nascia ali.
— Posso… — Limpei a garganta, tímido como nunca. — Posso falar com ele? Ou com ela?
— Deve — respondeu, com um brilho maroto. — Mas fala baixo, porque aparentemente já estamos criando um ser humano com bom gosto musical e ele dorme com barulho de chuva. Os dedos trêmulos deslizaram até o ventre ainda discreto, onde a vida começava a crescer em silêncio. O toque foi leve, reverente, como se eu tivesse medo de quebrar algo sagrado.
Aproximei os lábios do ventre e falei baixinho, sentindo a voz tremer de um jeito que nunca aconteceu nem em rodeio, nem em casamento de ninguém, nem em despedida de amigo.
— Oi, pequeno. Ou pequena. Aqui é o teu pai. — Minha voz falhou por um instante. — Eu não sei direito o que tô fazendo, mas prometo aprender. Prometo te proteger, te ensinar a respeitar gente, bicho, chuva, a colher o que a terra dá, a pedir desculpa quando errar e agradecer quando acertar. Prometo amar tua mãe com o tipo de amor que vira casa, e amar você com o tipo de amor que vira mundo. Se você herdar a risada da tua mãe, eu tô perdido. Se herdar minha teimosia, a gente negocia. Tá combinado?
Lila cobriu a boca com as mãos, e deixou o choro vir manso e bonito. Eu continuei, encostando os lábios no ventre, sentindo o calor da pele dela e o peso suave da emoção me esmagar.
— Eu não sei se você vai ter o sorriso da sua mãe ou o meu nariz torto. — falei, rindo baixo — mas já te amo mais do que consigo explicar. E quero que saiba, pequeno… — dei outro beijo, demorado, como se pudesse transmitir tudo o que sentia — que você chegou em meio a um amor que é teimoso, intenso, meio bagunçado, mas verdadeiro.
Lila se abaixou um pouco, enredando os dedos nos meus cabelos, e o jeito que me olhou, me fez perder o fôlego.
— Você vai ser o melhor pai do mundo, Taylor. — disse, baixinho. — Eu sei disso.
Levantei o rosto, encontrando o dela.
— Só porque você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.
Ela sorriu, e naquele instante, nada mais existia: nem o passado, nem os medos, nem as brigas. Só três corações batendo juntos, compassados, prometendo um futuro inteiro.
— A gente precisa pensar em nomes. — falei, recostando de novo, puxando-a para o meu abraço.
— Já? — Ela arregalou os olhos. — Você é rápido.
— Eu quero ter com o que sonhar quando eu estiver montando em Diablo amanhã cedo. — Sorri. — Se for menina… eu gosto de Clara. Se for menino… gosto de Benjamim. Ou de Noah. Ou de um nome que caiba nesses olhos que eu ainda nem vi.
— Clara é bonito — ela admitiu, pensativa. — E Benjamim tem cara de menino que derruba um vaso por dia.
— Ou de menino que aprende a laçar antes de andar.
— Deus nos livre. — ela riu, fingindo medo. — Você vai por esse menino num cavalo com três meses.
— Quatro. — Levantei as mãos, em rendição. — Com capacete. E Catarina segurando a sela. E Maria rezando o terço.

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