Taylor Remington Miller
O sol filtrava pelas frestas da cortina, tingindo o quarto com um tom dourado e suave. O silêncio era sereno, só o som distante do vento passando pelos campos e o respirar tranquilo de Lila ao meu lado. A respiração dela era tão leve que parecia embalar o tempo e eu, ali, com o coração cheio demais pra caber no peito.
Abri os olhos devagar, e a primeira coisa que vi foi o rosto dela. Cabelos espalhados no travesseiro, bochechas coradas, a boca entreaberta num descanso que parecia pintura. Era como se o mundo tivesse parado pra me lembrar de uma única verdade: eu era o homem mais sortudo da terra.
Um sorriso escapou, daqueles que a gente nem tenta conter. Inclinei-me sobre ela com cuidado, o colchão rangendo baixinho, e deixei meus dedos percorrerem os fios bagunçados de seu cabelo. Depois, desci o olhar até o ventre, aquele pequeno milagre escondido sob o lençol.
— Bom dia, meu pequeno. — murmurei, com a voz rouca de sono e emoção. Ajoelhei-me ao lado dela e beijei o local com reverência, como quem toca um segredo divino. — Aqui é o papai. Espero que você tenha dormido bem… porque eu não parei de sonhar com você o tempo inteiro.
Lila suspirou baixinho, com os olhos ainda fechados, e um sorriso manso curvou seus lábios.
— Já tá conversando com o bebê, cowboy? — sussurrou, sem abrir os olhos.
— Claro que tô. — Fingi indignação. — A gente tem muito o que discutir: cor do quarto, nomes, e principalmente que gênio ele vai puxar.
Ela riu, com a risada sonolenta e doce que me desmontava por dentro.
— Espero que puxe o seu, porque o meu é impossível.
— Ah, isso a gente resolve com amor e panqueca. — Beijei novamente o ventre e olhei pra ela. — Falando nisso… princesa, precisamos alimentar nosso bebê. E você também.
Lila se espreguiçou, ainda preguiçosa, e escondeu o rosto no travesseiro.
— Não quero levantar… tá tão bom aqui.
— Eu sei, pequena. — Sorri. — Mas se eu deixar, você passa o dia sem comer e nosso filhote vai reclamar comigo.
Ela abriu um olho e o encarou, fingindo desafio.
— Reclamar com você?
— Com certeza. — Me aproximei mais, roçando o nariz no dela. — Ele vai nascer bravo, dizendo: “Papai, mamãe tentou viver só de amor e preguiça.”
Lila gargalhou, rendida.
— Você é impossível, Taylor.
— E irresistível. — murmurei, piscando um olho. Antes que ela protestasse, deslizei os braços por baixo do corpo dela e a ergui, sem esforço, no colo.
— Taylor! — ela exclamou, rindo. — Me coloca no chão, você vai acabar…
— Shhh… — cortei, fingindo seriedade. — Ordens médicas. Paciente especial precisa ser transportada com todo o cuidado do mundo.
Ela apoiou a cabeça em meu ombro, o riso virando um suspiro. O toque dela no meu pescoço era suave, e o coração batia num ritmo bobo e apaixonado. Caminhei devagar pelo corredor, o som dos meus passos misturando-se ao da casa despertando. O aroma de café e pão fresco já vinha da cozinha, e o barulho de vozes familiares começou a surgir.
Quando chegamos à porta, a cena era quase cotidiana, mas naquele dia, tudo parecia diferente.
Maurício estava sentado ao lado de Catarina, rindo de alguma piada interna. Tomás mordia uma maçã, encostado no balcão, e Maria mexia em uma panela, com o avental florido e o olhar concentrado. O cheiro de temperos, preencheu o ar.
Assim que entramos, todos olharam.
— Olha só quem resolveu dar as caras! — brincou Catarina, erguendo uma sobrancelha. — Achei que vocês tinham fugido do mapa.
— A gente tava… ocupado — respondi, piscando para Lila, que imediatamente ficou vermelha.
— Ocupado? — Catarina sorriu maliciosa. — Espero que tenha sido algo produtivo.
— Foi. — disse eu, com a voz embargada de alegria. De repente, o ar pareceu se encher de expectativa. Olhei para cada um deles, depois para Lila, que me devolveu um sorriso tímido, cúmplice. Senti o peito apertar e a voz tremer, mas não consegui conter. — A gente tem uma notícia.
Maurício franziu o cenho.
— Que cara é essa, cowboy? Não me diga que comprou mais um cavalo sem avisar.

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