Taylor Remington Miller
O sol do começo da tarde queimava como se quisesse atravessar o couro da pele, e o ar estava pesado, cheirando a terra quente e capim amassado. Eu saí de casa com a cabeça fervendo e não era só pelo calor. Era por dentro mesmo, aquele tipo de calor que sobe do peito e vai até o rosto.
Lila tinha ficado deitada, com os cabelos cobrindo o rosto e aquele jeitinho sereno de quem podia dormir o mundo inteiro. E eu, bom… eu não conseguia nem respirar direito. Precisava dar uma volta, limpar a cabeça, pensar direito sobre… aquilo.
Maurício, claro, apareceu justo na hora que eu pegava a chave da caminhonete.
— Vai pra cidade? — perguntou, já abrindo a porta do carona sem esperar resposta. — Tô dentro.
Revirei os olhos, mas deixei. A última coisa que eu queria era conversar e, ironicamente, era o que eu mais ia ter.
A caminhonete rugiu e a estrada de terra se abriu à frente, levantando poeira atrás de nós. O rádio tocava uma moda antiga, dessas que falam de amor, arrependimento e cavalo perdido. Ironia demais pro meu gosto. Eu mal ouvia. Ficava com os dedos batendo no volante e a mente longe… longe demais.
Lembrava do corpo de Lila se encaixando no meu, dos sussurros, do jeito como ela me puxava pra perto. E aí vinha a culpa, como uma enxurrada depois da seca. Será que eu tinha exagerado? Será que tinha sido demais? Apertei o volante com força.
— Tá calado demais pro meu gosto. — Maurício quebrou o silêncio, me olhando de lado com aquele sorrisinho de quem fareja encrenca. — O que foi, cowboy? A vaca do lote quatro escapou de novo?
— Queria que fosse isso. — murmurei.
— Então o que é? — ele insistiu. — Tá com cara de quem viu fantasma.
Suspirei fundo. Pensei em inventar qualquer bobagem, mas não dava. Ele me conhecia bem demais.
— Cara… é que… — cocei a nuca, desconfortável. — Eu tô preocupado.
— Com o quê? — Ele ergueu uma sobrancelha. — O parto? O nome do bebê?
Balancei a cabeça.
— Não. Com… o antes do parto.
Ele piscou, confuso.
— O antes?
Eu bufei, já arrependido de começar.
— De madrugada e pela manhã.... Eu e a Lila… — Passei as mãos pelos cabelos, sentindo o rosto pegar fogo. — Foi intenso demais, entende?
Maurício me encarou por dois segundos. Dois segundos de silêncio mortal. Depois, o sujeito começou a gargalhar alto, descontrolado, batendo no painel e quase derrubando o chapéu.
— Ah, não… não, Taylor! — disse, entre risadas. — Você está preocupado porque foi intenso demais?
— Para, seu idiota, é sério! — rebati, nervoso. — Eu fui muito… muito mesmo. E a Lila, ela… nossa… — Fiz um gesto vago no ar, sem conseguir terminar a frase. — E agora fico pensando se isso pode, sei lá, balançar o bebê.
Ele gargalhava como se tivesse ouvido a melhor piada do século.
— Você fala como se tivesse provocado um terremoto!
— Não tô brincando, Maurício! — insisti. — E se eu tiver balançado demais a… estrutura?
Ele chorava de rir, segurando o estômago.
— “Estrutura”? Cara, você é um caso perdido.
Bufei.
— Vai rindo, vai. Quero ver quando for sua vez.
Maurício limpou as lágrimas de tanto rir, tentando se recompor.
— Tá, tá, prometo que vou falar sério.

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