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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 231

Lila Montgomery

O sol já escorria suave pelas frestas da cortina, pintando o quarto com um dourado preguiçoso, daqueles que dá vontade de ficar enrolada nos lençóis pra sempre. O canto dos passarinhos se misturava ao barulho distante do vento entre as árvores, e o cheiro de pão fresco e café subia do andar de baixo, invadindo tudo.

Espreguicei-me, com um sorriso ainda meio sonolento, e o primeiro pensamento que me veio foi o mesmo de todos os dias: Taylor. Toquei o travesseiro ao lado e, claro, estava vazio. Ri sozinha, aquele homem não parava quieto nem dormindo.

Levantei devagar, os pés descalços tocando o chão frio, e procurei uma roupa qualquer. Peguei um short jeans curtinho e, sem pensar duas vezes, a primeira camiseta que encontrei era dele, larga, macia e cheirando a sabonete e a fazenda. Coloquei também um par de meias de bolinha, herdadas de alguma arrumação da Catarina, e fiquei rindo do espelho. Parecia uma mistura de menina e dona de casa, mas eu estava confortável, e era só isso que importava.

A casa estava silenciosa, exceto pelo som de Maria andando pela cozinha e das galinhas lá fora fazendo seu alvoroço diário. Passei os dedos nos cabelos, ainda bagunçados, e caminhei até a varanda.

Catarina estava lá, como sempre, parecendo saída de uma revista rural chique: short de linho, blusa branca, cabelo solto e um copo de suco de laranja na mão. Estava sentada na cadeira de balanço, olhando o horizonte com aquele ar de quem observa tudo e julga metade.

— Bom dia, princesa da fazenda — ela disse, sem tirar os olhos do campo, com um meio sorriso. — Dormiu bem?

— Como uma pedra. — respondi, me aproximando e sentando ao lado dela. — Acho que sonhei a manhã inteira com panquecas e goiabada.

— Grávida sonha com comida, é sinal de que o bebê vai ser forte. — comentou, divertida.

— Ou guloso. — retruquei, rindo. — Onde está o Taylor?

Ela me olhou de lado, estreitando os olhos como quem já sabia onde a conversa ia dar.

— Foi à cidade com o Maurício. Deve estar voltando já.

Fiz uma careta manhosa, apoiando o queixo nas mãos.

— Ah, que pena. Queria ele aqui.

— Olha ela, toda carente — provocou Catarina, rindo. — Daqui a pouco vai querer que ele traga florzinha do campo e cante pra barriga.

Revirei os olhos, mas o sorriso me traiu.

— Não seria má ideia…

Antes que eu pudesse responder, o barulho da porta se abriu atrás de nós, e Maria surgiu triunfante, equilibrando uma bandeja enorme nas mãos.

— Deus me livre dessas meninas passarem fome! — exclamou. — Olha aqui, minha buchudinha, vem comer.

A bandeja estava carregada: suco, pão de queijo, bolo de milho, frutas, queijo fresco e uma tigela de iogurte com mel. Só de olhar, senti o estômago roncar.

— Maria, eu te amo. — declarei, com a voz mais sincera do mundo.

— Eu sei, minha filha, eu sei. — ela respondeu, rindo. — O amor entra pelo estômago.

Catarina gargalhou.

— Principalmente quando o estômago tem um inquilino novo.

Sentei-me à mesa improvisada e comecei a comer como quem não via comida há dias. Maria e Catarina se entreolharam, divertidas, enquanto eu devorava um pão de queijo atrás do outro.

— Credo, Lila, parece o Taylor comendo depois da lida. — comentou Catarina, fingindo choque.

— O bebê pediu. — falei com a boca cheia. — Eu sou só a mensageira.

Maria riu alto.

— Essa desculpa ainda vai render, viu?

Enquanto eu comia, Catarina apoiou o cotovelo no braço da cadeira e me observou com aquele olhar de quem estava prestes a provocar. Eu já conhecia o sinal.

— Me diz uma coisa, cunhadinha… — começou, inocente demais pra ser verdadeira. — Você notou que o Taylor ficou meio preocupado de manhã?

Levantei o olhar, surpresa.

Catarina deu uma gargalhada alta, inclinando-se para frente.

— Eu falei, Lila, se prepare pra morrer na mão.

Eu joguei uma almofada nela, sem sucesso, enquanto as duas caíam na risada.

O riso delas era contagiante, e logo eu também não consegui segurar. O som ecoava pela varanda, misturado ao farfalhar das folhas e ao cheiro de pão de queijo quente.

Mas então, de repente, o som familiar de um motor veio se aproximando. A risada foi se apagando aos poucos quando ouvi o ronco da caminhonete cruzando o portão da fazenda.

Meu coração deu um salto, e o sorriso nasceu antes mesmo que eu percebesse.

— Olha só quem chegou… — disse Catarina, num tom divertido. — O seu cowboy de alma pura e consciência pesada.

Levantei, tentando parecer calma, mas era impossível disfarçar. Senti os olhos brilhando como se acendessem sozinhos.

A caminhonete parou, o som do motor morreu, e por um instante tudo ficou em silêncio. Taylor desceu do carro com aquele jeito que sempre me fazia esquecer qualquer preocupação, o chapéu abaixado, o andar firme, o sorriso preguiçoso que carregava o mundo todo dentro.

Catarina olhou pra mim, sorrindo de canto.

— Lá vem ele, cunhadinha… o homem mais apaixonado e mais medroso dessa fazenda.

Eu apenas ri, o coração batendo rápido.

E quando ele me viu ali, parada na varanda, com o sol batendo no meu rosto e as meias de bolinha expostas, Taylor sorriu daquele jeito que fazia tudo valer a pena.

Naquele instante, nem as provocações, nem o calor, nem a fome importavam mais.

Era só ele, o homem que me olhava como se cada dia fosse o primeiro, e que agora, mais do que nunca, era o centro do meu mundo.

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