A noite tinha se deitado preguiçosa sobre a fazenda, trazendo aquele silêncio cheio de sons, o farfalhar do vento entre as árvores, o coaxar dos sapos perto do lago e o zumbido distante dos grilos. O quarto estava mergulhado numa penumbra morna, iluminado apenas pelo abajur de cerâmica sobre o criado-mudo, que espalhava um brilho âmbar pelas paredes. O cheiro da madeira encerada misturava-se ao perfume leve de lavanda do lençol recém-trocado.
Lila estava deitada, meio de lado, com o corpo envolto no lençol até a cintura. Tentava se convencer de que estava calma, mas o coração denunciava o contrário. Desde o momento em que Taylor disse boa-noite e entrou no banho, ela sentiu o peito acelerar de um jeito quase adolescente. O som do chuveiro, lá dentro, era um convite perigoso. Cada respingo de água, cada arrastar de pés, fazia a imaginação dela dançar por caminhos proibidos.
Fechou os olhos, tentando se distrair, mas a lembrança do toque dele, das mãos grandes, do cheiro da pele morna, só deixava tudo pior. Sorriu sozinha, apertando o travesseiro, sentindo um arrepio gostoso subir pela espinha.
— Controle-se, Lila — murmurou baixinho, sabendo que era inútil.
O barulho da água cessou. O som da porta se abriu e o vapor escapou do banheiro como uma nuvem quente, enchendo o quarto com o cheiro de sabonete amadeirado e do corpo dele.
Taylor apareceu. E, Deus do céu, apareceu de um jeito que fazia qualquer pensamento racional evaporar.
Ele usava apenas um short folgado, pendendo baixo nos quadris. O cabelo ainda úmido deixava gotas caírem pelo pescoço até o peito largo, que subia e descia devagar, no ritmo da respiração calma. A toalha branca estava jogada sobre o ombro, e ele a retirou para enxugar o cabelo, revelando músculos que reluziam sob a luz amarela.
Lila sentiu o corpo todo reagir, primeiro o arrepio, depois o calor. Era como se cada centímetro da pele lembrasse do toque dele e implorasse por mais. A respiração dela ficou curta, e ela teve que morder o lábio inferior para não deixar escapar o som que se formava na garganta.
Taylor caminhou até a cadeira, pendurou a toalha com cuidado e, por um instante, olhou para ela. Aquele olhar… calmo, mas carregado de algo antigo, denso, difícil de explicar. Um misto de carinho e desejo contido.
Ele se aproximou devagar, o colchão cedendo sob o peso do corpo largo quando ele se deitou ao lado dela. O silêncio entre os dois era quase físico, uma tensão que vibrava no ar, como se o quarto respirasse junto com eles.
Lila virou o rosto, e os olhares se encontraram. O dela era faminto, sem disfarces. Taylor percebeu e sentiu o corpo inteiro estremecer.
Ele a observou por um longo segundo, como se quisesse dizer mil coisas e, ainda assim, escolhesse o silêncio. Então, com um gesto lento, inclinou-se e beijou a testa dela, um toque leve, cheio de ternura. Depois, pousou a mão grande sobre o ventre ainda discreto, acariciando com os dedos abertos, num carinho quase reverente.

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