Amanda respirou fundo antes de empurrar a porta de vidro que a separava do salão principal. O som abafado da música suave e das vozes elegantes a envolveu assim que cruzou o limiar. Luzes douradas dançavam no lustre de cristal pendurado acima da grande mesa de jantar, e o aroma dos pratos ainda sendo servidos preenchia o ar. Tudo estava no lugar certo. Tudo impecável. Tudo exatamente como se esperava de uma festa dos Montgomery.
Exceto por ela.
Amanda caminhou com passos firmes, mas o coração latejava descompassado dentro do peito. Ainda sentia o gosto amargo da cena que presenciara há poucos minutos no jardim. O som abafado dos grilos, o perfume de jasmim no ar... e os dois.
Taylor e Lila.
Os lábios de Taylor nos de Lila. As mãos dele em sua cintura. O jeito como a puxava para mais perto, como se quisesse fundir os dois corpos em um só. Aquilo não foi um beijo qualquer. Era um beijo com história, com raiva, com desejo. E, sobretudo, com sentimento.
Amanda ainda conseguia ouvir o som de sua própria respiração acelerada quando os viu. Estava indo ao banheiro, distraída, tentando processar a enxurrada de emoções daquela noite. Quando seus olhos pousaram naquela cena à sombra das glicínias, congelou. O mundo parou. Ficou em silêncio. E doeu. Doeu de um jeito que ela não sabia que ainda era possível.
Eles estavam entregues um ao outro, como se nada mais existisse. O beijo não era suave. Era faminto. Intenso. Como se tivessem esperado tempo demais. Ela reconhecia aquele tipo de beijo. Já o recebeu dele. Mas foi há tanto tempo... e, ainda assim, lembrava-se de cada segundo como se tivesse acontecido naquela manhã.
A noite em que esteve nos braços de Taylor foi uma ferida mal cicatrizada.
Amanda precisava recuperar a compostura antes que alguém a visse naquele estado. Respirou fundo, jogou os ombros para trás e retomou os passos em direção ao salão. Cada passo era uma facada discreta. Cada sorriso que ouvia de Taylor ecoava como uma zombaria.
Ao atravessar novamente o salão, evitou cruzar olhares. Mas foi inútil. Catarina a viu.
A amiga conversava com Lila, mas ao ver Amanda se aproximar, interrompeu a conversa. Os olhos azuis, atentos, percorreram o rosto da amiga. Havia algo ali. Algo no brilho úmido dos olhos, no aperto sutil dos lábios, um pedido de socorro silencioso. Sorriu para Lila pedindo licença e foi ao encontro da amiga.
— Amanda? — a voz de Catarina soou baixa, mas preocupada. Ela se aproximou, colocando uma mão leve no braço da amiga. — O que houve?
Amanda forçou um sorriso. Um daqueles que já tinha ensaiado tantas vezes que poderia vendê-lo como autêntico. Tinha sido treinada para sorrir, para parecer impecável, para não desmoronar.
— Nada, Catarina. Está tudo bem — respondeu, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Só fui ao banheiro e fiquei um pouco tonta. Talvez tenha exagerado no espumante.
Catarina arqueou uma sobrancelha, como quem não acreditava em uma só palavra, mas decidiu não insistir. Amanda sempre foi orgulhosa demais para admitir quando algo a magoava. E Catarina sabia muito bem o que tinha acontecido. Ou pelo menos, imaginava.
Ela seguiu o olhar da amiga e o encontrou parado do outro lado do salão, onde Taylor conversava animadamente com Tomas, o irmão de Lila, e com outro homem que ela não conhecia. Amanda não desviou os olhos, mesmo quando viu Taylor rir de algo que Tomás dizia, mesmo quando viu o brilho nos olhos dele. Era como se, naquele instante, ele não carregasse nenhum fardo. Como se tudo estivesse leve e certo.

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