O céu da fazenda estava tingido de tons dourados e alaranjados, típicos do final da tarde no interior do Texas. O sol escorria lento pelo horizonte, aquecendo a terra vermelha e os campos verdejantes que se estendiam até onde a vista podia alcançar. O som dos cascos cortando o solo ecoava pelo pasto, compassado, firme, constante. Diablo, o cavalo negro como a noite sem estrelas, galopava com elegância sob o comando de seu cavaleiro.
Taylor Remington Miller estava montado com a naturalidade de quem nasceu para aquele tipo de vida. As mãos grandes seguravam as rédeas com firmeza, os músculos dos antebraços tensos sob a camisa de algodão dobrada até os cotovelos. O chapéu jogava uma sombra sobre os olhos intensos e atentos, olhos que vasculhavam os campos, os bois, os homens. Supervisionava tudo, como sempre fazia, com um olhar que inspirava respeito e uma presença que ninguém ousava ignorar.
Taylor era o tipo de homem que parecia ter sido esculpido diretamente do barro daquela terra. Alto, de ombros largos, cabelos loiros desalinhados pela brisa e a barba por fazer. Os jeans surrados estavam empoeirados pelas horas de cavalgada, e as botas batiam com força no estribo a cada passo de Diablo. Para muitos, ele era só o patrão. Para os homens, um líder justo, mas implacável. Para as mulheres, uma presença que fazia o ar parecer mais denso. E para uma certa jovem de dezenove anos, ele era muito mais do que isso.
Do outro lado do campo, perto da granja, Clara limpava as mãos no avental florido enquanto equilibrava uma cesta cheia de ovos recém-recolhidos. O cheiro de milho e palha se misturava ao aroma adocicado da terra molhada. Ela havia saído cedo de casa para ajudar sua melhor amiga, Mariana, a terminar as tarefas do dia antes do anoitecer. Mariana era filha da cozinheira da fazenda e vivia rodeada de risos e galinhas. Clara, por sua vez, era filha de um dos peões mais antigos, Seu Raul, um homem simples e leal a Taylor desde os tempos em Taylor comprou a fazenda há três anos.
— Cuidado com esses ovos, Clara — alertou Mariana, rindo. — Você vive no mundo da lua!
Mas Clara não respondeu.
Ela havia parado, e seu olhar estava fixo em uma direção.
Taylor cavalgava em linha reta, contornando o lago próximo ao milharal, e por um instante, o mundo parou. Os cabelos dele, iluminados pelo sol, pareciam dourados. A postura ereta, o modo como inclinava a cabeça ao cumprimentar os trabalhadores, a maneira como Diablo obedecia cada movimento como se o entendesse com o pensamento... Era como assistir a um filme que ela já tinha sonhado inúmeras vezes, mas que nunca ousou tocar com as mãos.
— De novo? — murmurou Mariana, percebendo o olhar da amiga. — Você precisa parar com isso, Clara. Ele é... ele é o nosso patrão.
Clara assentiu devagar, mas seus olhos continuavam fixos nele.
— Eu sei — respondeu com a voz baixa. — Mas é como se o mundo só fizesse sentido quando ele está ali. Cavalgando, sendo ele.
Mariana bufou e pegou outra cesta.
— Vai acabar se machucando. Homens como ele... não olham para meninas como a gente.
Mas Clara não achava que era só isso.
Não era só paixão adolescente. Era algo mais profundo, mais silencioso. Taylor tinha sido gentil com ela em momentos difíceis. Quando sua mãe morreu, ele levou flores ao velório. Quando ela torceu o pé e foi ele quem a carregou nos braços até a varanda, ignorando os olhares espantados dos outros. Ele a via. Talvez não como ela queria ainda. Mas via.
— Acho melhor você superar, ouvi dizer que em breve teremos uma patroa e parece que é uma garota mimada da cidade.
Clara encarou a amiga furiosa e olhando nos seus olhos castanhos disse:
— Duvido que ele aguente. Taylor precisa de uma mulher da fazenda, uma que ame o campo, não uma patricinha mimada da cidade.

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