O sol do meio da tarde iluminava os campos da fazenda com uma luz dourada e morna, fazendo as copas das árvores parecerem pinceladas de ouro contra o céu azul. Subiram nos cavalos com movimentos sincronizados, como dois corpos que já conheciam de cor aquela rotina. O som ritmado dos cascos batendo contra o solo seco ressoava pela trilha de terra batida, acompanhados apenas pelo canto ocasional de pássaros no fim da tarde e pelo farfalhar leve das folhas dos eucaliptos ao redor. O céu começava a tingir-se de dourado e púrpura, o sol mergulhando devagar por trás das colinas e pintando o mundo em tons suaves de despedida.
Taylor ia à frente, montado em Diablo, seu garanhão negro, imponente, de crina espessa e porte orgulhoso. O animal parecia uma extensão de si mesmo. Cada movimento do cowboy era seguido com precisão pelo cavalo, como se formassem uma única criatura viva, feita de instinto e domínio. Maurício vinha logo atrás, tranquilo, em sua montaria castanha, os olhos atentos tanto à trilha quanto ao amigo, que parecia imerso em pensamentos.
Passaram pela pequena ponte de madeira que rangia levemente a cada passada dos animais. O riacho logo abaixo cantava baixo entre as pedras, e quando os cavalos cruzaram a ponte e seguiram por entre os salgueiros, os dois finalmente chegaram à clareira escondida, um pedaço secreto da fazenda que poucos conheciam.
Quando chegaram às margens, o riacho serpenteava sereno entre pedras lisas e vegetação densa. A água era clara, cintilante sob o sol, convidativa.
Ali, onde a água corria clara e calma, entre pedras lisas e raízes expostas, Taylor desceu de Diablo com a elegância de quem nasceu sobre uma sela. Esticou os braços acima da cabeça, alongando as costas com um suspiro audível.
— Acho que vou tomar um banho — disse, puxando o chapéu da cabeça e sacudindo o cabelo dourado. — Tá um calor desgraçado hoje.
Maurício soltou um assobio brincalhão.
— Vai fazer um show privado, cowboy?
Começou a se despir sem pressa, primeiro desabotoando a camisa azul-marinho e deixando que ela escorregasse pelos ombros largos, revelando o peito definido, queimado de sol. Depois, desamarrou as botas e tirou a calça jeans com movimentos preguiçosos, ficando apenas de boxer preta, o corpo todo marcado pelo trabalho na fazenda.
Maurício riu.
— Tá calor, parceiro. E eu não vou recusar um banho desses — respondeu, entrando devagar na água.
E mergulhou.
A água fria o envolveu por completo, arrancando-lhe um grunhido de satisfação. Nadou até o meio do riacho, submergiu por completo e emergiu com os cabelos grudados na testa, os olhos fechados, sentindo o frescor acalmar a tensão dos músculos.
O som do riacho, os respingos e a luz do sol desenhavam uma cena quase cinematográfica. E não muito longe dali, entre os arbustos altos, duas figuras femininas se escondiam com as bochechas coradas.
Clara mal respirava. Segurava a cesta de ovos junto ao peito como se aquilo pudesse conter o coração acelerado. Ao seu lado, a amiga tentava não rir alto, com os olhos arregalados fixos em Taylor dentro d'água.
— Por Deus, Clara... senhor Taylor está nu! — sussurrou a amiga.
— Ele está de boxer — rebateu Clara, mas sua voz saiu fraca, quase um sussurro. — Meu Deus do céu...
Os cabelos molhados, a barba por fazer, o jeito como ele fechava os olhos ao deixar a água escorrer pelo rosto... Tudo nele exalava força, liberdade, mas também algo que Clara sentia desde menina: um cuidado silencioso, uma gentileza bruta. Como quando a carregou nos braços anos atrás, após ela torcer o pé.
Ela fechou os olhos um instante, sentindo a lembrança viva em sua pele. O perfume dele, o calor do corpo, o conforto inesperado de se sentir segura em seus braços. Aquilo nunca a deixou por completo..
Taylor nadou mais um pouco, depois voltou para a margem, onde Maurício o esperava sentado na pedra maior. Secou os cabelos com a camisa, sentando-se ao lado do cunhado com o corpo ainda molhado, as costas brilhando à luz do entardecer.
Do outro lado da margem, Maurício sentou-se numa pedra, observando Taylor mergulhar os ombros e emergir em seguida, sacudindo os cabelos molhados
— E a festa de noivado? — perguntou Maurício, como quem jogava a pergunta ao vento.
Taylor soltou uma risada curta, que misturava ironia e prazer.
— A festa foi uma palhaçada. Cheia de gente da cidade que eu nunca vi na vida, bufê com comida difícil de pronunciar, banda tocando umas músicas esquisitas...
— Mas você tava lá todo arrumado, camisa branca e tudo — zombou Maurício. — Imagino como seus ficaram ao ver que não usou a roupa que eles escolheram.
— O olhar que minha mãe me deu não foi nada amistoso.
Ambos riram.
Taylor se sentou na borda da água, se inclinou para trás, cruzando os braços atrás da cabeça, sorrindo com um misto de deboche e triunfo.
— Lila Montgomery... — começou, o nome saindo quase como um suspiro. — Aquela mulher é uma mistura de tempestade e vinho caro. Tem pose de rainha, anda como se tivesse o mundo aos pés, e quando abre a boca… sai veneno.
— Isso quer dizer que você não gostou?
Taylor riu.
— Não. Quer dizer que eu gostei demais.

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