Lila Montgomery
Sete dias haviam se passado. Sete dias inteiros, que mais pareciam meses dentro do meu peito.
Cento e sessenta e oito horas exaustivas em que o mundo ao meu redor se manteve o mesmo.
Mas eu me sentia outra, ou melhor, me sentia invadida como se um ladrão tivesse entrado em meu corpo sem permissão e levado embora o meu sossego, a minha paz. Um ladrão de olhos azuis, cabelos dourados, chapéu de cowboy e um sorriso maldito que grudou em mim como tatuagem.
Taylor Remington Miller.
A cada noite que passava, o nome dele parecia ecoar dentro do meu corpo. Eu fingia que estava bem, como sempre fiz. Caminhava com meus saltos altos pelas ruas de Boston, cumpria meus compromissos com a família, comparecia aos jantares que minha mãe organizava com tanto zelo, usava os vestidos perfeitos, sorria com os lábios pintados de vermelho e fazia o papel da noiva exemplar. A filha bem-educada, a mulher de pose impecável.
Mas bastava o dia acabar para a minha performance ruir.
Sozinha em meu quarto, no escuro, entre lençóis de algodão egípcio e almofadas perfumadas, eu fechava os olhos e me via de novo presa entre os braços dele.
Era sempre o mesmo sonho.
Começava com aquela noite na boate, o momento exato em que ele se aproximou de mim com aquele olhar que me despiu inteira antes mesmo de me tocar. Lembro do calor das mãos dele em minha cintura, do perfume amadeirado que grudou em minha pele, da maneira como me puxou para junto de seu corpo quente. Da forma que ele me carregou nos braços e me beijou.
Tudo em mim estremeceu depois do beijo.
Taylor me beijou como nenhum homem jamais havia feito. Como se me possuísse por dentro, como se me marcasse.
E por mais que eu queira fugir disso, não posso negar. Ele, infelizmente, marcou. Ele me beijou como quem sabe que está tirando algo valioso, como um ladrão do desejo, e eu… deixei.
Naquela noite, fui embora com as pernas bambas, o coração disparado e a convicção de que daria um fim nessa loucura toda.
Mas estava errada.
O destino é cruel e quando vi, estava com um anel de safira no dedo anelar esquerdo e um homem de chapéu assinando compromissos ao meu lado.
Taylor Remington Miller se tornou meu noivo.
E no jantar de noivado, como se aquele beijo na boate não tivesse sido suficiente, ele me encurralou sob a pérgola coberta de flores no jardim e repetiu o que havia feito na boate.
Eu lembro da forma como ele se aproximou de mim com aquele sorriso arrogante.
— Fugindo da sua própria festa, princesinha?, provocou.
— Está me seguindo agora?, tentei rebater.
Mas ele não se abalou. Apenas me segurou pela cintura, me puxou contra o peito firme e quente, e antes que eu pudesse reagir, sua boca estava na minha.
Não foi um beijo doce. Foi um beijo marcado por fogo, por domínio, por promessas silenciosas.
E o pior? meu corpo respondeu. Meus lábios se abriram, minha respiração falhou, e por um instante, senti vontade de me render por inteiro.
Mas não posso, não devo, eu o odeio! Sempre o odiei!
E tem mais um detalhe que ninguém sabe, apenas minha melhor amiga… é que sou virgem.
Sim.
A mulher fria, distante, arrogante, como dizem por aí, nunca foi tocada de verdade.
Nunca entreguei meu corpo a homem algum, nunca deixei que ultrapassassem o limite. Porque no fundo, eu tinha medo. Medo de ser usada e acabar machucada.
Mas Taylor... Taylor me faz desejar perder tudo isso. Ele me tira da pose, me faz querer abrir mão do controle.
E isso me apavora, mas também me enfurece. Principalmente quando se passa uma semana inteira desde aquele maldito beijo, e ele não me procura.

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