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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 32

A noite caía com uma calma enganosa sobre a cidade de Boston. Do lado de fora, o céu era um tapete escuro salpicado de estrelas preguiçosas, e uma brisa morna circulava pelas ruas movimentadas do centro, carregando o perfume das árvores floridas misturado aos odores urbanos. Do lado de dentro, porém, o clima era outro.

O restaurante escolhido pelos Remington para o jantar de família era uma casa antiga restaurada, transformada num dos espaços mais sofisticados e reservados da cidade. Um lugar onde o tempo parecia se mover com lentidão e elegância.

Cortinas de linho branco ondulavam suavemente com o vento vindo das janelas entreabertas, e as paredes eram cobertas por heras vivas e quadros em molduras rústicas, representando paisagens da Toscana e retratos ancestrais.

Candelabros suspensos derramavam uma luz âmbar sobre a mesa longa, adornada com arranjos florais discretos e castiçais de prata. O som de talheres sobre porcelana, conversas murmuradas e o tilintar ocasional de taças brindando criavam uma harmonia quase hipnótica.

Taylor estava à cabeceira da mesa, como de costume. Tinha aceitado ir a esse jantar por insistência de sua avó. O cowboy usava camisa preta com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os antebraços definidos e bronzeados. O paletó estava pendurado na cadeira atrás dele. Os cabelos estavam levemente assanhados, mas os olhos, apesar de atentos, pareciam distantes.

Ao seu lado, sua avó, Magnolia Remington, uma senhora de presença marcante, exalava nobreza em cada gesto. Usava um vestido azul-marinho rendado, os cabelos brancos presos em um coque clássico, e tomava goles suaves de vinho tinto como se estivesse em um salão europeu do século XIX.

James, o patriarca da família, falava sobre os investimentos na expansão agrícola da fazenda de Taylor com entusiasmo contido. Sophia, sempre elegante, lançava comentários pertinentes entre um gole de vinho e outro. Catarina, no entanto, estava distraída, com os olhos grudados na tela do celular e os dedos ágeis digitando sem parar.

Foi quando a expressão de Catarina mudou.

— Mas... o que é isso? murmurou, interrompendo bruscamente a fala do pai.

Sophia ergueu uma sobrancelha, intrigada.

— Que foi, filha?

Catarina arregalou os olhos, o brilho da tela refletido em suas pupilas. Ela virou o celular em direção a Taylor, mas antes mesmo que ele pudesse pegar, o telefone dele vibrou sobre a toalha. A tela se acendeu com uma enxurrada de notificações: Grupos, mensagens, emojis, alertas, vídeos.

Ele desbloqueou com um movimento irritado e clicou no primeiro vídeo que piscava em vermelho.

E então viu.

Lila, sua noiva.

Vestida com algo escarlate e indecente, dançando em cima de uma mesa. O vestido colado ao corpo deixava evidente as curvas sinuosas da garota. Um chapéu mexicano sobre os cabelos soltos e um dançarino atrás dela, colado, sorrindo, enquanto ela ria, jogava o cabelo para trás, virava doses de tequila e se balançava como se o mundo fosse um palco e ela, a estrela principal.

Taylor ficou em silêncio por um segundo. Um silêncio denso, perturbardor. Depois, apertou os lábios, e trincou o maxilar.

— Mas que... porra é essa? murmurou, com os olhos ainda fixos no vídeo.

Catarina levou a mão à boca, em choque e divertimento. James soltou um pesado "hum", franzindo a testa. Sophia suspirou com um olhar de exaustão, e Magnolia... bem, Magnolia apenas sorriu.

Um sorriso pequeno, malicioso, quase orgulhoso. Ela pousou sua taça sobre o pires de prata com delicadeza.

— Bem... disse com sua voz pausada e encantadora — sua noiva sabe se divertir. Ao menos não é uma daquelas criaturas insípidas que fingem ser donzelas para agradar a sociedade. Eu gosto dela, tem espírito.

Pegou o paletó, mas não o vestiu. Jogou-o sobre o ombro e saiu, com passos largos e decididos e a mandíbula travada.

A cidade parecia mais barulhenta do lado de fora. As buzinas, as luzes, o tráfego. Mas ele não via nada. Sua mente estava cega. Um túnel escuro com apenas uma imagem repetindo-se como uma punição: Lila rindo, dançando, se curvando para trás ao som da música, os cabelos colados ao pescoço suado, o corpo marcado pela luz da pista. Aquilo não era só ciúme, era fúria, posse, dor.

Acelerou o carro até a boate. As avenidas pareciam longas demais, e a raiva o fazia pisar no acelerador com força. Chegou no local em apenas alguns minutos. Desceu sem falar com ninguém, nem o segurança ousou impedi-lo de entrar.

As luzes da boate pulsavam como o seu coração. Tons de roxo, vermelho, verde, dançavam ao som da batida que vibrava sob seus pés. O cheiro de álcool, suor e perfume doce invadiu suas narinas, mas ele não parou.

Seu olhar varreu o salão e então, ele a viu de longe.

No centro do salão iluminado por luzes dançantes, Lila brilhava como uma estrela decadente, linda, ousada, furiosa e absolutamente livre.

Ainda com o chapéu mexicano sobre os cabelos, girava os quadris ao som de uma música latina, com os braços erguidos, o sorriso no rosto, garotas gritando ao redor.

Mas isso não era o pior? O maldito dançarino do vídeo ainda estava colado a ela, com a mão na sua cintura, e os olhos fixos no corpo dela como se a desejasse ali mesmo.

Taylor não se moveu. Ficou parado apenas observando.

Ali, à distância, no meio do caos colorido da pista, Lila Montgomery dançava como se o mundo estivesse acabando. Como se não tivesse noivo, como se não sentisse mais nada.

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