O portão automático da casa deslizou para o lado com lentidão cerimonial, como se a própria casa estivesse se preparando para presenciar algo que jamais esqueceria. A propriedade dos Montgomery se estendia imponente e silenciosa sob a luz quente dos refletores embutidos nos pilares de pedra. Os jardins perfeitamente aparados, caminhos de pedras brancas, e arbustos floridos margeando a curta alameda de pedras que levava à entrada principal.
A caminhonete escura de Taylor subiu a alameda como um animal noturno, seus faróis cortando a escuridão com retidão quase ameaçadora. O motor rugia baixo, pesado, como o humor do homem que o dirigia. Assim que o carro parou diante da porta principal, ele nem sequer desligou o motor. Estava inquieto, os dedos tamborilavam no volante, a respiração presa entre a tensão e o que quer que estivesse queimando dentro dele.
Sem hesitar, Taylor saiu do carro, batendo a porta com um estalo seco. O ar da noite o atingiu com uma brisa morna e perfumada, mas não havia espaço para contemplações.
Contornou a caminhonete apressado, os passos largos, os ombros tensos. Abriu a porta do lado do passageiro e ficou parado por um segundo.
Ela ainda estava apagada.
Lila Montgomery.
A mulher que era um vendaval de orgulho, sarcasmo e sensualidade. E que, naquele momento, parecia uma boneca de porcelana adormecida sob o feixe de luz dourada que vinha da varanda.
Seu rosto descansava suavemente sobre o blazer dele, os lábios entreabertos, e uma mecha do cabelo escapava pela lateral da testa, colada à pele quente pelo suor. As bochechas estavam coradas, pela bebida, pelo calor da noite, pela intensidade daquilo tudo. Os cílios longos tremiam, como se ela sonhasse. Mas seu corpo permanecia entregue.
Taylor a observou por um instante, com a mandíbula travada, os olhos escurecidos por um misto de preocupação, culpa e algo que ele não ousava nomear.
Com delicadeza, a tomou nos braços. Ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele como se tivesse sido feita para isso, para os braços dele, para aquele espaço entre o peito e o queixo, para o centro do caos que era a sua vida.
Ele fechou os olhos por um instante, sentindo o perfume suave de sua pele e o calor que emanava dela. Em seguida, subiu os degraus da varanda com passos pesados e decididos. A madeira antiga rangeu sob suas botas, e ele mal teve tempo de levantar o cotovelo para tocar a campainha.
A porta se abriu antes disso, com um estalo seco.
Tomas.
O irmão caçula da tempestade que ele carregava nos braços.
Ele ficou estático, congelado no vão da porta. Seus olhos claros se arregalaram, a boca se entreabriu, e ele ficou ali, parado, tentando entender o que estava vendo.
Taylor seu futuro cunhado. Carregando sua irmã desacordada nos braços como se ela fosse uma princesa exausta de um baile ou uma bomba prestes a explodir.
— Que diabos... — Tomás começou, mas a frase se perdeu no ar.
Atrás dele, surgiram mais duas presenças.
Gabriel Montgomery apareceu primeiro, vindo do fundo do corredor, erguendo as sobrancelhas ao se deparar com o quadro à frente. Seus olhos desceram de Taylor para Lila, percorrendo cada detalhe, o cabelo despenteado, o vestido amassado, os pés descalços, e voltaram para o rosto tenso do genro. Não disse uma palavra, não precisava. Ele já imaginava o que deve ter acontecido, até porque sua esposa já tinha dito sobre a saída repentina e furiosa da filha.
Logo atrás, Isabella apareceu com uma taça de chá nas mãos. Parou subitamente, seus olhos castanhos se arregalaram. O vidro do cristal tilintou com o susto e, em um gesto automático, ela levou a mão à boca.
Ficaram todos ali. Paralisados e sem fala.
Todos... menos Taylor.
Ele era o único que respirava com força, o peito subindo e descendo sob a camisa aberta no colarinho, o rosto suado pela tensão e pelo calor da noite.
Apenas olhou para os sogros por um breve segundo, um olhar direto, firme, sem espaço para questionamentos, e então se voltou para Tomás.
— Ela bebeu demais — disse, com a voz seca, grave. — Onde fica...?
Tomás levou um segundo para reagir. Engoliu a surpresa e ajeitou o ombro como quem tentava recompor a compostura.
— Vem comigo, cunhadinho — disse, com um meio sorriso. — Eu te mostro o quarto da donzela.
Taylor apenas assentiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário