O quarto estava mergulhado em penumbra quando Lila abriu os olhos pela primeira vez. A luz suave do amanhecer atravessava as cortinas semi abertas, lançando um brilho pálido sobre os móveis e as paredes em tons de branco e dourado. O ar estava parado, quente, pesado. E sua cabeça… sua cabeça latejava como se tivesse mil martelos batendo ao mesmo tempo.
Ela soltou um gemido rouco ao levar a mão à testa. O toque dos próprios dedos pareceu amplificar a dor que pulsava dentro do crânio. Sua boca estava seca, a garganta arranhando, e um gosto metálico e amargo repousava na língua. Uma náusea súbita subiu pelo estômago e ela virou o rosto de lado, respirando fundo, tentando não vomitar ali mesmo, sobre os lençóis.
— Ai, meu Deus... — murmurou para si mesma, com a voz fraca.
Demorou um minuto inteiro para se sentar na cama. Cada músculo do corpo doía, como se tivesse corrido uma maratona bêbada. Sentia-se esmagada, como se tivesse sido atropelada por um trem... de tequila.
Lila piscou lentamente, ajustando a visão, e só então percebeu onde estava.
Seu quarto.
O colchão conhecido. O cheiro doce de seus próprios perfumes. O mural de fotos na parede. A poltrona de leitura com sua manta favorita jogada sobre o encosto.
— Mas... como eu cheguei aqui? — sussurrou, sentindo o pânico se instalar em seu peito.
A última coisa de que se lembrava com clareza era a música alta da boate. A pista girando sob seus pés. Suze rindo, as luzes coloridas, a sensação do álcool queimando sua garganta, o palco, o dançarino, o chapéu mexicano...
E então...
Ele.
Taylor.
A imagem veio como um flash, cravada em sua mente com uma nitidez que beirava a violência.
Aquela presença. O olhar flamejante no meio da multidão. Os passos firmes atravessando o salão como uma promessa de fúria. As palavras afiadas, carregadas de ciúmes. O jeito como ele a puxou. A briga, os socos, as mãos fortes ao redor da cintura dela.
E então... o beijo.
Oh, Deus.
O beijo.
Ela cobriu o rosto com as mãos ao lembrar. A maneira como ele a encostou contra o carro. Como suas mãos seguraram sua coxa e a levantaram, envolvendo-a em torno de sua cintura. O corpo quente dele pressionado contra o seu. A boca rude, devoradora. Os quadris dele arqueando contra os dela com uma intensidade que a fez gemer.
E pior.
O que a deixou verdadeiramente corada ali, sentada sozinha em sua cama... foi a lembrança do desejo dele pulsando contra ela. A ereção dele, inegável, incontrolável, pressionando sua intimidade de forma tão crua que seu corpo inteiro respondeu antes mesmo de sua mente entender.
— Deus... o que foi que eu fiz?
Um murmúrio, uma confissão. Seus dedos escorregaram pelo rosto, e o calor da vergonha subiu do pescoço até as bochechas, queimando.
Mas antes que pudesse afundar mais naquele turbilhão de lembranças desconexas e emoções confusas, a porta do quarto se abriu bruscamente.

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