A luz da manhã invadia lentamente o quarto de Taylor, filtrando-se pelas frestas das cortinas de linho cru. O ar ainda estava morno, resquício da noite abafada, e o canto dos galos ao longe se misturava ao zumbido das cigarras que nunca pareciam cessar naquele pedaço de terra quente e vasto. No entanto, nada disso era suficiente para acordar Taylor voluntariamente.
Ele resmungou, revirando-se na cama de casal com os lençóis amarrotados, a cabeça enterrada no travesseiro como se pudesse se proteger do mundo, ou da ressaca que pulsava em sua nuca com a insistência de um tambor. O gosto metálico na boca denunciava a bebedeira discreta da noite anterior, uma tentativa frustrada de esquecer o caos que Lila causara no seu peito.
Mas a paz durou pouco.
A porta foi escancarada com violência, batendo contra a parede com um estalo seco.
— Bom dia, sol da minha vida! — entoou uma voz sarcástica, melodiosa demais para aquela hora.
Taylor soltou um grunhido de dor e virou de lado, puxando o travesseiro para cima da cabeça. Sabia exatamente de quem era aquela voz.
— Sai daqui, Catarina… — rosnou, abafado.
Mas ela não apenas entrou, ela se jogou sem o menor pudor, Catarina caminhou até a cama do irmão com os pés descalços e se deitou ali ao lado dele, como se tivesse dez anos de novo e ele fosse seu melhor amigo e não um homem com vinte e nove anos, nu sob os lençóis, tentando lidar com a dor de cabeça e a memória do beijo devastador que trocara com sua noiva na noite anterior.
Taylor suspirou, exasperado, e empurrou o travesseiro para o lado.
— O que você quer aqui, Catarina?
Ela girou o rosto na direção dele e abriu um sorriso zombeteiro.
— Nossa, irmãozinho… tá azedo hoje, hein? Eu jurava que depois daquele beijo cinematográfico com a Lila ontem à noite, você estaria mais… calmo.
Ele se sentou devagar, esfregando o rosto com as mãos.
— O que você quer, Catarina?
— Me admira você, que acorda sempre com o cantar dos galos, ainda estar dormindo...
— Eu cheguei tarde. — murmurou, sem vontade.
Catarina assentiu com fingido entendimento, olhando as unhas.
— Tá, tudo bem. Mas agora acho melhor levantar, precisamos conversar.
Taylor empurrou os lençóis para o lado com um gesto irritado e se levantou da cama. Estava completamente nu. Andou até a cômoda com o andar pesado de quem não estava disposto a fingir recato nem diante da irmã.
Catarina soltou uma gargalhada exagerada, virando o rosto de lado dramaticamente.
— Nossa… coitada da minha cunhadinha, pequeninha e você todo… grandão. — disse, rindo enquanto encarava descaradamente o corpo nu do irmão. — Pelo visto ela tirou a sorte ... grande.
Taylor pegou uma toalha pendurada na cadeira, enrolou-a com firmeza na cintura e, cruzando os braços sobre o peito nu, a encarou com expressão irritada.
— Não seja indiscreta e diga logo o que você quer, Catarina.
Ela se levantou com calma, os pés afundando levemente no tapete grosso de lã, e caminhou até ele com aquele andar provocador e cheio de charme que usava desde a adolescência para conseguir o que queria do irmão. Parou diante dele, abriu um sorriso largo e triunfante e anunciou como quem diz que o sol vai nascer no leste:
— Sua noivinha vem morar com você.
Taylor piscou. O silêncio durou alguns segundos.

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