O sol ainda queimava alto no céu quando o Masserati preto de James Remington Miller estacionou em frente à sede da fazenda. A poeira levantada pelas rodas demorou a baixar, girando em espirais douradas no ar quente. Taylor, de chapéu e camisa aberta sobre o peito suado, estava encostado no curral, conversando com um dos seus funcionários que limpava os cascos de um dos potros recém-chegados. A expressão dele endureceu ao ver o veículo dos pais se aproximando.
— Lá vem bomba — pensou, tirando o chapéu da cabeça e enxugando os fios loiros que estavam molhados pelo suor.
Sophia desceu primeiro. Elegante, firme como sempre, vestindo uma camisa de linho branco e calça jeans impecável. Os cabelos loiros estavam presos num coque apressado, e os óculos escuros escondiam o olhar que Taylor conhecia bem demais: o olhar da mãe quando estava prestes a impor algo e não admitir discussão.
James veio logo atrás, com seu passo pesado e tranquilo, o típico homem que raramente se metia em brigas, mas que sempre apoiava a esposa quando o assunto envolvia decisões familiares.
Taylor soltou um suspiro contido, se despediu do seu peão e caminhou em direção aos pais, já sentindo o peso da conversa que estava por vir.
— Vieram ver o potro novo? — tentou brincar, mas sua voz saiu seca. Pressentia que a visita não tinha nada de cordial.
Sophia tirou os óculos, encarando o filho diretamente.
— Viemos conversar sobre Lila.
— É, imaginei — ele retrucou, cruzando os braços sobre o peito. — A cidade inteira parece estar falando sobre ela. Ótimo marketing pro casamento, não?
James pigarreou, tentando suavizar a tensão.
— Recebemos uma ligação de Gabriel e Isabella. Foi uma conversa longa.
— E pesada — completou Sophia, sem rodeios. — A decisão foi tomada. Lila vai vir morar aqui. Amanhã.
O silêncio que se seguiu foi tão cortante quanto o vento seco que cruzava o campo.
Taylor piscou devagar, como se tivesse acabado de ouvir uma piada de péssimo gosto.
— Catarina me contou em primeira mão, mas confesso que tinha esperanças de que tudo isso fosse mentira.
Sophia suspirou.
— Ela extrapolou, Taylor. E os pais dela decidiram que o melhor caminho é trazê-la pra cá, pra perto de você. Para que vocês possam se ajustar antes do casamento e...
— Se matarem antes do casamento, é isso que você quer dizer, mãe? — interrompeu ele, exasperado. — Porque é isso que vai acontecer. Eu e aquela garota... a gente não consegue ficar no mesmo cômodo sem provocar uma terceira guerra mundial. E agora vocês querem que ela... more aqui?
Ele gesticulava com as mãos abertas, os olhos faiscando, andando de um lado para o outro como um touro enfurecido no curral.
— Taylor... — tentou James, mas foi interrompido por Sophia, que ergueu a mão.
— Você vai escutar agora. Porque não se trata só de você. Essa menina vai se casar com você. E ela precisa entender a vida que vai levar. Precisa sair da redoma em que foi criada. E quem melhor do que você para mostrar isso a ela?
— Eu não sou babá de patricinha mimada! — retrucou Taylor, virando o rosto. — Eu tenho trabalho. Tenho animais, funcionários, contas, colheita, pragas... Eu não tenho tempo nem paciência pra ensinar boa conduta a uma garota que desmaia bêbada em uma porta de boate.
— Seu comportamento ontem também deixou os acionistas furiosos. Onde já se viu, o herdeiro bilionário das Remington Miller Global Holdings, saindo aos socos com um dançarino de boate?
— Ele me provocou!
— Taylor já conversamos sobre isso. — completou James. — Esse casamento é necessário e importante para as duas famílias. É um acordo com data para começar e terminar, o que custa para você? Pense na sua família… na sua avó.
— A vovó de novo?
— Você sabe que esse é o maior sonho dela.
Sophia avançou um passo encarando o filho nos olhos.

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