A tarde na fazenda Sun Valley escorria lenta, quente e preguiçosa, como mel sobre pão de milho. O sol dourado banhava os campos com uma luz suave, quase cinematográfica, enquanto os cavalos trotavam distantes sob a sombra de algumas árvores retorcidas. O som ritmado dos cascos no solo, o murmúrio constante do vento passando pelas copas e os gritos espaçados dos peões no campo compunham uma melodia típica dos dias comuns de trabalho.
Mas naquele instante, o que menos havia ali era normalidade.
O ronco grave de um motor importado cortou o silêncio da tarde como um trovão repentino no meio do céu azul.
Taylor estava na varanda, vestindo uma camisa quadriculada com as mangas dobradas, calça jeans surrada e botas já cobertas pela poeira da manhã. Ele tomava café em sua caneca favorita, a que dizia “Melhor fazendeiro do mundo”, quando ouviu o som inconfundível de pneus de perfil baixo avançando sobre a terra batida. Ele ergueu os olhos, franzindo a testa contra a claridade, e cerrou os olhos como se tentasse afastar o inevitável com o próprio olhar.
— Não… — murmurou para si mesmo. — Não tão cedo...
O carro preto brilhou ao dobrar a curva do caminho principal. Janelas espelhadas, lataria polida com brilho indecente e uma aura de ostentação que destoava de tudo ao redor. Era como ver uma estrela de cinema descendo no meio do cerrado.
A caminhonete velha do caseiro ao lado parecia um dinossauro empoeirado.
Quando a porta traseira se abriu com uma lentidão quase teatral, Taylor prendeu a respiração.
Primeiro, surgiu o salto agulha nude que cravou com um estalo macio na terra. Depois, uma perna longa, grossa e bronzeada. Em seguida, ele teve a visão completa.
Lila Montgomery.
A própria visão da ousadia urbana em contraste absoluto com a rudeza da terra. Ela usava um conjunto de alfaiataria cor-de-rosa claro, justo, luxuoso e evidentemente caro, que parecia mais apropriado para uma reunião em Manhattan do que para uma tarde na zona rural. Os cabelos loiros, estavam arrumados como se tivessem saído de um editorial de revista. Os óculos escuros escondiam metade do rosto, e nas mãos, ela carregava uma mala Louis Vuitton e um spray anti-inseto cor-de-rosa.
Atrás dela, um motorista uniformizado desceu com cuidado, tirando do porta-malas nada menos que quatro malas grandes, duas caixas organizadoras, uma sacola térmica e… um ring light.
Sim. Um ring light.
Taylor tirou o chapéu devagar e coçou a cabeça, engolindo seco.
— Isso vai dar merda... — sussurrou.
Na varanda, Catarina observava a cena com os braços cruzados, um sorriso matreiro no rosto. Ao lado dela, Maria limpava as mãos no avental de linho, com os olhos arregalados de curiosidade e preocupação.
— A rainha chegou! — exclamou Catarina, batendo palmas como quem assiste a um desfile de gala.
Lila retirou os óculos com um gesto lento e preciso. Seu olhar cortou o espaço entre ela e Taylor como uma lâmina fina e afiada. Sem dizer uma palavra, ela analisou o ambiente. O local era muito limpo e bonito, mas jamais iria admitir isso em voz alta. Depois, seus olhos pararam nele.
Taylor se endireitou, cruzando os braços, a encarando com o olhar tão desafiador quanto o dela.
— Veio com pouca bagagem. Achei que iria trazer também seu próprio cabeleireiro.
— Ele vem no fim de semana. — respondeu ela, sorrindo como quem j**a uma taça de champanhe na cara de alguém com educação. — Preciso de alguém que saiba lidar com cabelo e… com animais selvagens.
— Aqui tem bastante dos dois. — rebateu ele, com o olhar deslizando pelas pernas dela. — Mas só um dos dois usa salto agulha no pasto. E não é o cavalo.
Maria tossiu baixinho, tentando interromper o duelo verbal.
— Bem-vinda, querida! Me chamo Maria, sou a governanta da casa. Eu fiz broa, bolo de milho, suco natural… e se quiser, posso preparar um banho com folhas de eucalipto.
— Oh, Maria… só o fato de você estar aqui já me acalma. — respondeu Lila com um sorriso gentil, lançando um olhar venenoso a Taylor logo em seguida.
— Isso aqui não é spa, princesa. — retrucou ele. — É sua nova casa.
Ela caminhou em direção a ele, com passos firmes e decididos e passou por Taylor como se ele fosse uma cerca velha. Abraçou Maria com ternura e cumprimentou Catarina.
— Ola Catarina, que bom que está aqui.
— Não se acostume, princesa, Catarina é apenas visita.
— E você, cowboy, acho melhor se acostumar com a ideia de ter alguém civilizado por aqui.
— Desde que você não tente mijar no meu pasto, tudo certo.
Catarina segurou o riso com as duas mãos, disfarçando a gargalhada com uma tosse dramática. Maria apenas murmurou “Jesus, Maria e José…” e foi correndo preparar o lanche.
Taylor apontou com o queixo para o corredor.
— Seu quarto é na ala leste. Vista pros estábulos. Assim já se acostuma com o cheiro.
— Acordar com cheiro de bosta de cavalo. Que delícia, um verdadeiro sonho campestre.
— Bom saber que seu senso de humor sobreviveu ao asfalto.
— Meu senso de humor é tudo o que vai me manter viva aqui.

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