O som dos saltos de Lila ecoava pelo assoalho de madeira polida com o ritmo de quem tentava manter o orgulho intacto, ainda que estivesse engolindo a surpresa do destino. Atrás dela, Taylor caminhava em passos largos e silenciosos, carregando duas das caixas menores que não deixou o motorista tocar, não por gentileza, mas por desconfiança.
O clima era tenso e carregado.
Quando pararam diante da última porta do corredor, Taylor girou a maçaneta e empurrou a madeira pesada com naturalidade. O rangido da dobradiça soou como o aviso de que algo, a partir daquele ponto, não teria mais volta.
— Bem-vinda ao meu reino. — murmurou ele, com ironia e os olhos semicerrados.
Lila entrou devagar, e ao cruzar o batente, foi obrigada a parar. Seus olhos passearam por todo o cômodo, tentando absorver o espaço que agora teria que dividir com ele.
O silêncio do quarto recém-invadido por malas de luxo era cortado apenas pelo leve zumbido do ventilador de teto, que girava preguiçosamente, como se pressentisse que a brisa naquela noite não seria suficiente para refrescar os ânimos entre os dois.
O quarto era surpreendentemente amplo, muito maior do que qualquer um dos cômodos que ela viu ao longo do corredor. As paredes eram revestidas com lambris de madeira escura, bem lustradas, e havia uma imensa janela de vidro com cortinas bege abertas, revelando a vista para o campo e os cavalos pastando no fundo.
Lila parou ao lado da cama, com os dedos ainda segurando firme a alça dourada da sua mala Louis Vuitton. Seus olhos vasculharam o espaço ao redor, absorvendo cada detalhe. As paredes de madeira escura, os móveis rústicos perfeitamente organizados, o couro polido da poltrona, o chão de tábuas largas impecavelmente encerado.
Tudo ali exalava Taylor.
Cada centímetro do quarto parecia gritar o nome dele, desde os chapéus pendurados atrás da porta até o cheiro amadeirado misturado ao do sabão em pó masculino que pairava no ar.
Tudo exalava masculinidade. Mas não era o tipo de desleixo de um solteirão inveterado. Pelo contrário, o ambiente era limpo, arrumado, como se o caos que existia dentro de Taylor se compensasse ali, naquele refúgio de ordem e silêncio.
Mas foi a cama que a fez engolir em seco.
Grande, imensa, na verdade. King-size, com lençóis escuros perfeitamente esticados, travesseiros dispostos com simetria militar e uma colcha grossa que parecia guardar o calor de noites silenciosas e intensas. Lila sentiu uma onda estranha subir pelo corpo. Não era desconforto, nem era exatamente desejo. Era algo entre os dois. Uma antecipação inquieta, um desconcerto que a fazia perder o ar por meio segundo.
Imaginou-se deitada naquela cama e ao lado dela, o corpo quente e firme, de Taylor. A respiração dele próxima à sua nuca, o braço pesado atravessando sua cintura durante a madrugada, os lençóis bagunçados, os joelhos roçando sob o tecido, a textura da pele dele, bronzeada, firme, coberta por aquele calor que parecia emanar naturalmente dele.
“Credo, Lila, o que você tá fazendo?” — pensou, piscando rápido, tentando se recompor.
Mas já era tarde porque Taylor havia percebido. E claro, não deixaria passar.
— Algum problema? — perguntou, com um meio sorriso, deixando as caixas em cima da cama.
— Só estou surpresa por não haver palha no colchão. — retrucou, virando de costas para disfarçar o rubor.
Ele deu um passo à frente, cruzou os braços e respondeu:
— Posso providenciar, se preferir algo mais... rústico.
Lila bufou, tirando o blazer dos ombros com um movimento delicado.
— Já me basta o animal rústico com quem vou ter que dividir o teto.
Taylor riu.
— Vai ver você gosta.
— Vai ver... você é mais suportável dormindo do que acordado.

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