Apesar da tensão, Maria preparou um jantar digno de capa de revista rural.
Na enorme mesa da casa principal, disposta com sousplats rústicos e guardanapos de linho, havia uma fartura de dar inveja a qualquer chef de hotel cinco estrelas. Galinha caipira, arroz refogado, polenta cremosa, salada de folhas colhidas da horta, pão de queijo feito na hora e, claro, o clássico bolo de fubá com goiabada.
Tudo servido com tanto carinho que parecia até cerimônia de boas-vindas.
— Sente aqui, minha flor — disse Maria, puxando a cadeira para Lila. — Fiz tudo com o maior carinho. Sei que deve estar sendo difícil se adaptar, então quis deixar a noite especial.
— Você é um anjo, Maria — disse Lila, sorrindo sincera. — Se eu sobreviver aos mosquitos, será graças a você.
Maria riu, com os olhos brilhando de orgulho.
— Você parece uma bonequinha de porcelana. Mas olha… tem força no olhar, moça. Gosto disso.
Taylor, sentado do outro lado da mesa, apenas mastigava em silêncio, o garfo furando a polenta como se fosse a própria sorte. Cada elogio à Lila fazia uma veia nova saltar na testa. E Maria não parava.
— Essa pele, minha Nossa Senhora… parece feita de leite. E esse cabelo? Nunca vi coisa igual aqui nesse mato.
— Você é minha nova melhor amiga, Maria. — disse Lila, piscando.
Taylor pigarreou alto.
— Catarina… pode me passar o sal? Ou talvez a pá, para cavar minha cova?
Catarina deu risada, bebendo seu suco calmamente.
— Você está é com ciúmes, Taylor.
— Tô é com azia.
Lila provou o arroz com frango e gemeu baixinho de prazer.
— Oh meu Deus… isso tá melhor que sexo.
Taylor levantou os olhos devagar.
— Você anda com um parâmetro meio baixo, então. Ou talvez ainda não tenha conhecido o padrão certo. — completou com um sorriso malicioso.
Lila corou mais retrucou.
— Duvido que esse padrão esteja aqui.
Catarina ergueu o prato.
— Um brinde à convivência forçada!
Maria gargalhou e sussurrou:
— Com esses dois, vai ser melhor que novela.
Mais tarde, Lila subia as escadas em silêncio, enquanto o corredor era invadido pela luz morna dos abajures antigos. Já no quarto, agora no quarto deles, ela fechou a porta e foi até a mala.
Abriu o zíper e ali estava a realidade.
— Ah, não… — murmurou, arregalando os olhos. — Não. Não. Não…
Ali estavam, dobradas com perfeição por alguma assistente empolgada ou pela mãe com humor duvidoso, todas as peças erradas para a ocasião errada. Lingeries de renda transparente, babydolls curtos com decotes indecentes, camisolas de seda que pareciam ter saído de um desfile de Paris num delírio sensual.
Não havia um pijama simples, nada de algodão, nenhum short fofo, nenhuma camiseta larga de propósito. Só peças que gritavam “luxúria em plumas e renda”.
Ela puxou um modelo preto longo. Alças finas. Fenda lateral profunda. Costas completamente nuas. Uma renda francesa que cobria mais o ar do que a pele.
— Minha mãe me odeia. Só pode ser isso. — murmurou, indignada, pressionando os dedos contra a têmpora.
Suspirou, rendida.
Se era para encarar o campo com classe, que fosse até o fim.

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