Lila desligou o chuveiro e deixou que a última onda de água morna escorresse por sua pele antes de alcançar a toalha felpuda pendurada ao lado. Secou-se devagar, como se tentasse prolongar os minutos de paz que o banho lhe proporcionava. Ao vestir o robe macio, envolveu o corpo ainda quente e suspirou fundo, como quem se preparava para entrar em campo de batalha. Prendeu os cabelos ainda úmidos em um coque despretensioso, ajeitou alguns fios soltos e se olhou no espelho com uma expressão que tentava ser determinada, mas que entregava certo nervosismo escondido nas entrelinhas do olhar.
— Vamos lá, Lila. Você é uma Montgomery. Você encara de frente qualquer tempestade. Aguenta o trampo. — murmurou para o próprio reflexo, tentando se convencer. — Até mesmo dividir uma cama com um homem desconhecido que provavelmente ronca como um trator, usa ceroulas brancas furadas ou... — ela engoliu seco — pior... dorme pelado.
Desceu o robe com lentidão, ajustando cuidadosamente o decote, como se o simples ato de posicioná-lo lhe desse algum tipo de controle sobre o que estava prestes a enfrentar.
Quando abriu a porta do banheiro, encontrou o quarto envolto em uma penumbra, iluminado apenas pela luz suave do abajur ao lado da cama. O ambiente exalava uma estranha intimidade. Ela caminhou até o colchão em passos curtos, cautelosos, como quem invade território alheio. Tirou o robe em um movimento quase coreografado e, como se estivesse fugindo do próprio atrevimento, mergulhou sob o cobertor com a velocidade de um gato assustado. Apenas seu rosto permaneceu exposto, e seus olhos azuis ficaram atentos.
— Só uma noite, só uma noite, só uma noite… — repetia baixinho, como um mantra protetor, agarrando o edredom como se ele fosse sua única armadura.
Foi então que a porta rangeu e Taylor entrou.
Pelo canto dos olhos semicerrados, Lila o viu de costas. Ele caminhava em direção à cômoda com passos lentos, despreocupados. Começou a tirar a camisa com uma calma provocativa, revelando, centímetro por centímetro, de um corpo absurdamente definido. O tecido, úmido de suor, moldava os músculos como se cada contorno tivesse sido esculpido à mão. Ombros largos, costas delineadas, braços que pareciam carregar o peso do mundo com facilidade. Lila sentiu um arrepio subir pela espinha e uma onda de calor surgir do estômago e irradiar por todo o corpo.
Seu coração, antes hesitante, agora batia em um ritmo alucinado, como se tentasse acompanhá-lo com uma trilha sonora interna de puro desespero hormonal.
E então veio a calça.
Taylor, ainda de costas, puxou o zíper lentamente. A peça deslizou por suas pernas até os pés, deixando-o apenas de boxer preta, malditamente ajustada, que se moldava a ele com uma ousadia que feria todas as boas intenções de Lila.
Ela não conseguiu evitar olhar. Engoliu seco. O que ele tinha naqueles quadris era, honestamente, um insulto ao autocontrole.
— Vou tomar um banho. Quando eu voltar... não grita, tá? — ele disse, jogando uma toalha sobre o ombro.
Ela franziu o cenho, confusa.
— Gritar? Por quê? Vai trazer uma jiboia da fazenda?
— Não — ele virou parcialmente o rosto, com um sorriso travesso —. Vou trazer meu corpo nu mesmo.
Os olhos de Lila se arregalaram num misto de choque e incredulidade.
— VOCÊ TÁ BRINCANDO!
Mas ele já havia desaparecido no banheiro, deixando para trás um rastro de vapor imaginário e provocações reais. Assim que ouviu o som do chuveiro, ela sentou-se ereta na cama, como um soldado em alerta máximo. O edredom escorregou pelas suas pernas e ela o puxou de volta com força, como se o tecido pudesse protegê-la de pensamentos impuros ou de um corpo molhado prestes a emergir como um demônio do desejo.
— Calma, Lila. É só um homem. É só um corpo. Um corpo… gostoso pra caramba. — murmurou para si mesma, massageando as têmporas com dedos trêmulos.
Mas o som da água só piorava tudo.
A mente dela já havia se rebelado contra qualquer tentativa de racionalidade. E como controlar a imaginação quando ela já visualizava cada gota escorrendo por aquele abdômen trincado, aquela bunda perfeitamente moldada, aquelas coxas firmes…
— Deus, me dê forças!
Então, a porta do banheiro se abriu.
O vapor saiu primeiro, quente, úmido, preenchendo o quarto com uma atmosfera carregada. E, em meio à névoa, surgiu Taylor. A toalha branca amarrada na cintura deixava margem à imaginação. O cabelo loiro pingava sobre a testa, os olhos brilhavam com intensidade perigosa, e o corpo molhado refletia a luz morna do abajur como uma armadilha visual.
Lila sentiu todo o corpo responder. Um arrepio percorreu sua espinha, seus mamilos se endureceram involuntariamente sob o tecido fino da camisola, e seu sexo pulsou, como se tivesse vontade própria. O ar parecia rarefeito, difícil de ser inalado.
Ele caminhou até a cômoda, abriu uma gaveta e vasculhou seu conteúdo como se nada no mundo fosse urgente. Nada, exceto o nó da toalha que suas mãos agora alcançavam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário