Lila Montgomery
Depois do café, levantei-me com a mesma elegância com que havia me sentado. Deixei o guardanapo dobrado de lado com um gesto leve, quase simbólico, como um ponto final. Não disse nada a ninguém, nem precisava. Apenas lancei um olhar para Catarina. Ela me entendeu com um aceno breve, silencioso, e se ergueu com a mesma naturalidade de quem já sabia para onde aquilo tudo levaria.
Deixamos Taylor e Maurício para trás na cozinha, ainda digerindo não só o café, mas também cada palavra dita e as que eu preferi deixar suspensas no ar. Minha mente fervilhava, lembrando da noite anterior e da manhã seguinte. O toque quente e possessivo de suas mãos grandes, o beijo delicado na minha nuca, a barba roçando sobre minha pele… Por Deus, não posso ceder a esse desejo primitivo. Sou uma mulher moderna que tem o controle de sua mente e do seu corpo.
O sol já cortava as últimas faixas da neblina que haviam dominado a manhã. Agora, os campos dourados da fazenda se revelavam por completo, expostos sob a luz intensa que aquecia a terra e fazia o verde reluzir em contraste com o azul do céu. O ar estava mais seco, mas ainda carregava aquele cheiro bom de mato fresco, de terra úmida, de liberdade.
Caminhei ao lado de Catarina em silêncio.
O som dos nossos passos misturava-se ao cantar distante de alguns pássaros e ao ritmo cadenciado de cascos batendo na terra, lá longe. Catarina não disse nada, também não precisava. Ela sabia que eu estava travando uma guerra invisível. Com o lugar, com ele, comigo. E parecia se divertir, como quem assiste a um jogo do qual conhece o final, mas não perde a graça de ver a partida.
— Vou te mostrar a fazenda da melhor forma.
— Da melhor forma?
— Sabe cavalgar?
Por um momento hesitei. Sim, eu já tinha cavalgado antes e sinceramente eu amava sentir o vento frio no meu rosto e a sensação de liberdade que esse ato proporciona.
— Claro que sei.
— Ótimo, vamos até o estábulo escolher um cavalo para você. Tem vários potros e cavalos lindos, eu tenho uma égua que se chama tempestade, pode cavalgar nela se quiser.
— Não precisa Catarina, posso escolher um para montar.
O estábulo surgiu à nossa frente, largo, antigo e imponente. As ripas de madeira escura ainda estavam úmidas do orvalho da manhã, e o cheiro que saía dali era quase hipnótico, feno, couro, suor, terra molhada... selvageria domesticada. Pelo menos até certo ponto.
A porta estava entreaberta. Um vaqueiro colocava um balde de água próximo a uma das baias. Quando me viu, endireitou o corpo, tirando o chapéu com respeito silencioso. Não esperei por apresentação, nem permissão. Entrei com a naturalidade de quem pertence, mesmo sem nunca ter estado ali.
Meus olhos passearam lentamente pelos animais. Havia cavalos lindos, castanhos, brancos, manchados, a maioria com olhar manso e movimentos lentos, como se já estivessem acostumados à rotina da fazenda. Alguns mastigavam o feno com indiferença, outros batiam os cascos de leve, inquietos.
Mas então... eu o vi. Ou ele me viu primeiro.
Parei diante de uma das baias, sentindo meu corpo reagir antes mesmo de entender por quê. E ali estava ele.
Um cavalo negro.
Negro como a noite mais densa, sem uma única estrela. Sua pelagem era tão escura que parecia absorver a luz ao redor, mas ao mesmo tempo brilhava como cetim molhado sob os feixes dourados do sol da manhã. Ele era enorme. Impossível ignorá-lo. A musculatura delineava cada parte de seu corpo, como se ele tivesse sido esculpido a partir da própria natureza bruta. Ele exalava força, velocidade, poder. As crinas longas e onduladas pareciam feitas de sombra viva, caindo sobre o pescoço largo com um desleixo ameaçador.
E os olhos...
Deus.
Negros profundos, inteligentes, selvagens.
Eles não só me encaravam, eles me desafiavam.
Meus pés se moveram sozinhos até a beirada da baia. Fiquei ali, parada, como se soubesse, como se tivesse certeza, que aquele era o meu cavalo.
— Aquele. — Apontei, sem tirar os olhos dele. — Quero aquele.
O vaqueiro virou-se devagar, claramente hesitante.
— A senhora tem certeza? Esse aí...

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