Taylor Remington
O vento cortava o rosto com violência, mas eu nem sentia.
O cheiro da terra molhada subia à medida que Diablo pisava firme na trilha batida, e o vento batia forte no meu rosto. Mas nem isso era capaz de apagar o gosto da boca da Lila. Merda… aquilo ainda tava em mim como pólvora depois do tiro.
Diablo galopava sob mim como uma extensão do meu corpo, os cascos cravando a terra firme, levantando poeira pelo pasto aberto. Eu precisava daquele ar nos pulmões, daquele silêncio, daquele movimento. Precisava fugir. Não da fazenda, não dos problemas… dela.
Lila.
O nome dela martelava nos meus pensamentos com a mesma força do coração batendo no peito. Tinha gosto, tinha cor, cheiro, peso. O gosto dela ainda estava na minha boca, queimando a minha memória.
Aquela mulher estava me enlouquecendo.
Desde que pôs os pés naquela casa, toda a minha rotina virou de cabeça pra baixo. Cada passo dela era como um desafio. Cada olhar, uma provocação. Cada palavra carregada de sarcasmo era um jogo perigoso. Mas eu gostava. Deus, como eu gostava.
E hoje ela selou Diablo como se tivesse nascido pra isso. Como se aquele cavalo, indomável e cheio de manha, tivesse olhado pra ela e dito: "ok, eu aceito". Ele não faz isso com ninguém. Mas com ela… ele se curvou.
E aí ela cavalgou. Feito uma tempestade de cabelos soltos e olhar firme. E quando eu vi, tava ali… olhando como um idiota, sentindo a terra fugir dos pés. Fui atrás, claro. Diablo é meu, e ela, mesmo dizendo o contrário, não podia simplesmente tomá-lo. Mas quando a alcancei...
Ela olhou pra mim com aquele olhar cheio de coisa que não se diz. E eu… eu puxei. Sem pensar. Sem planejar. Só puxei.
E a beijei.
Não era só um beijo e eu sabia disso. Por mais que meu orgulho esperneasse, que minha cabeça dissesse “foi só um impulso”, o corpo… o corpo sabia a verdade. Aquele beijo foi como um raio, um choque, um incêndio que se espalha antes que alguém possa gritar. Ela não recuou, pelo contrário. Veio com tudo, com fome, com fúria. E a boca dela encaixou na minha como se tivesse esperado a vida inteira por isso. Como se aquilo fosse inevitável.
A forma como ela me puxou, como gemeu quando colei nossos corpos… aquilo me atravessou. Não como algo leve, passageiro. Foi como raiz de árvore antiga se enroscando nas minhas entranhas.
E o pior, não parecia que ia passar.
Eu? Eu sempre fui durão. Sempre soube manter tudo sob controle. Mas essa mulher me virou do avesso, com apenas um beijo. Se Clara e Mariana não tivessem aparecido … eu não sei onde teria terminado aquilo.
Ou melhor, sei sim.
Não sei se vou conseguir suportar dormir ao lado dela, sentindo o perfume de sua pele sedosa e quente e me controlar. Lila me provoca de um jeito que me tira do eixo. Aquela pose arrogante, autoritária e durona dela, só me faz desejar segurar aquele rostinho e beijar aquela boca gostosa até ela ficar sem ar. Eu quero beijar aquele corpo, fazer ela estremecer sob o meu toque. Sinto meu corpo esquentar e minha ereção já apertada sobre a calça.
— INFERNO!
O vento soprou mais forte e me fez piscar. Diablo diminuiu o ritmo por instinto, como se sentisse que eu estava me perdendo nos próprios pensamentos. Afaguei seu pescoço.
— Tá cansado, parceiro? — perguntei baixo.
Ele relinchou suavemente, quase como uma resposta. Dei uma leve puxada nas rédeas e virei o caminho. A casa de Maurício ficava do outro lado da colina. A trilha era conhecida, ladeada por eucaliptos altos que dançavam com o vento.
Quando cheguei, o cheiro de café fresco invadiu minhas narinas antes mesmo de ver a casa. Sorri sozinho. Aquele cheiro me trazia paz. Me lembrava que ainda havia um mundo onde as coisas eram simples. Onde as pessoas sorriam sem querer algo em troca.
A casa de Maurício era simples, mas aconchegante. A casa era modesta, mas bem cuidada. Pintura branca, varanda com redes penduradas, samambaias nas janelas. Ali, tudo tinha um jeito de lar. Desmontei de Diablo com um impulso ágil, prendendo a rédea no mourão mais próximo.
A porta estava aberta, as risadas vinham lá de dentro, e o cheiro… por Deus, o cheiro de café fresco quase me fez sorrir.
Dona Emília apareceu na porta com aquele sorriso que aquecia até os dias mais secos.
— Patrão, venha tomar um café! Acabei de passar.
Tirei o chapéu e tentei manter a compostura.
— Emília… quantas vezes eu já disse pra não me chamar de patrão?
— E quantas vezes eu já disse que não adianta reclamar? — ela rebateu, com aquele olhar maroto. — O senhor é o dono disso tudo, então é o meu patrão. Entra logo, homem, antes que esfrie.
Com um sorriso nos lábios, caminhei até ela, já abrindo os braços e envolvendo o corpo pequeno e frágil com um abraço apertado.
— Acho que vou aceitar. Esse cheiro tá bom demais pra resistir.
Entramos juntos. A cozinha estava quente, cheirosa, com aquele ar de lar que a gente não confessa que sente falta.
Maurício já estava sentado, mexendo o café com cara de quem estava só esperando a bomba estourar.
— E então, patrão? Vai me contar ou vai fingir que não rolou nada?
Revirei os olhos, puxando a cadeira como quem carrega o mundo nas costas.
— Você é um pé no saco, sabia?
— E você tá com a cara de quem tomou um choque e tá viciado.
Suspirei. Não adiantava fugir.
— Eu a beijei.
Maurício quase cuspiu o café, rindo alto.

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