Lila Montgomery
Voltei caminhando devagar, como se cada passo fosse um esforço para manter a compostura. Por fora, eu parecia firme, confiante, a mulher que todos esperam ver em mim. Mas por dentro... meu coração parecia um cavalo selvagem, galopando desgovernado no peito. O gosto do beijo ainda estava na minha boca, impregnado, como se tivesse se entranhado na minha pele, no céu da boca, entre os dentes. Eu não conseguia afastar o calor que aquilo havia deixado no meu corpo.
Peguei o cavalo que ele havia galopado e montei deixando para trás aquelas duas garotas, mas não conseguia tirar a imagem do olhar de Clara. Aquele olhar grudou em mim como poeira fina depois de uma tempestade de verão. Quente, desconfortável, persistente.
Taylor e Diablo já estavam longe, desaparecendo no horizonte. A imagem deles ficaria gravada na minha mente por muito tempo. A forma que Diablo se comportava com o seu dono, a expressão de seriedade de Taylor sob ele.
Catarina me esperava junto à cerca de madeira, com os braços cruzados, o corpo inclinado, um dos pés apoiado no segundo degrau da estrutura. O vento fazia a blusa dela ondular levemente, mas o olhar permanecia fixo em mim, como se ela soubesse exatamente o que eu estava sentindo.
— Tá querendo deixar o meu irmão viúvo antes mesmo de casar, é? — soltou, com aquele tom afiado que ela dominava como ninguém.
Tentei não rir. Joguei os cabelos para trás como quem despacha pensamentos indesejados com um único gesto de vaidade.
— Tá mais fácil ele morrer primeiro. — rebati com um sorriso enviesado.
— Só se for de preocupação. — respondeu, sem perder o tom sarcástico. — Lila... o Diablo nunca deixou ninguém montar nele antes. Ninguém. Nem o Maurício, nem peão experiente, nem alma viva. E você... você simplesmente chegou e domou a fera. Com uma saia rodada e um desafio na boca.
Ela riu pelo nariz e balançou a cabeça, admirada. Eu suspirei, encostando na cerca ao lado dela, deixando o peso do meu corpo se apoiar ali enquanto o resto ainda flutuava na lembrança daquele beijo. Lá longe, os cascos de Diablo ainda ecoavam como tambores distantes, como se o chão se lembrasse de cada batida dele.
— Ih... pelo visto rolou beijo. — provocou, agora virando o rosto em minha direção.
Demorei a responder. E quando as palavras finalmente saíram, vieram mais baixas do que eu pretendia.
— Não era pra acontecer...
Catarina permaneceu calada por alguns segundos. Mas eu sabia que aquele silêncio dela era só o prenúncio da provocação seguinte. E eu estava certa.
Ela arqueou uma sobrancelha e um sorriso torto se desenhou lentamente no rosto dela.
— Mas aconteceu. E, pela sua cara... — apontou o queixo na minha direção — deve ter sido daqueles que fazem a gente esquecer até como se respira. Queimou até a alma, né?
Revirei os olhos, tentando manter minha muralha de indiferença de pé.
— Só se for de raiva. — murmurei. — O seu irmão é um ogro. Teimoso, mandão, orgulhoso.
— E beija bem pra caramba. — emendou Catarina, sem perder o ritmo. — Vai, confessa. Aquela boca dele deve ter deixado você de pernas bambas. Meu irmão não é de fazer nada pela metade, ainda mais quando sente algo.
— Você é impossível. — resmunguei, mas minha voz saiu quase rindo, traída pelo calor que subiu às minhas bochechas.
Catarina soltou uma gargalhada deliciosa, debochada e cúmplice.
— Impossível sou eu? Garota, olha só pra você! Se fosse só um selinho qualquer, você já teria voltado com aquele seu olhar gelado de sempre. Mas tá aí, toda vermelha, mordendo a boca, cheia de silêncios. Esse beijo aí... esse beijo mexeu. E muito.
Cruzei os braços, fingindo tédio, mas no fundo tentando conter o redemoinho de pensamentos que me invadia. Foi quando, ao longe, vi Clara e Mariana voltando da granja e entrando na casa. Mariana me lançou um sorriso simpático, mas Clara... Clara desviou o olhar assim que nossos olhos se cruzaram.
— Aquela menina... Clara. — comentei, quase num sussurro.

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