A cozinha exalava calor, cheiro de tempero forte, lenha queimada e nervos à flor da pele.
Maria comandava o fogão como uma maestrina experiente, e a orquestra do jantar estava em plena sinfonia. Carne assada dourada no ponto, arroz soltinho fumegando, legumes coloridos e brilhantes, pão caseiro recém-saído do forno, ainda soltando vapor. Havia um perfume de lar ali. Mas o ambiente estava longe de acolhedor.
Taylor estava sentado na ponta da mesa como um rei mal-humorado no trono errado. Braços cruzados, a camisa branca colada ao peito largo ainda úmido do banho recente, calça moletom, cabelos desgrenhados caindo na testa e o olhar distante, preso a alguma lembrança ou provocação. Cada vez que alguém se mexia, o banco rangia, e ele endurecia a mandíbula.
Catarina mastigava devagar, como quem assiste a um duelo prestes a começar. Seus olhos saltitavam de um lado para o outro, ansiosa pela primeira faísca.
Lila desceu os degraus da escada com um andar firme demais para ser casual. O vestido branco de algodão agarrava sua cintura e esvoaçava discretamente nas coxas quando ela se movia, como se a própria casa parasse por um instante para olhar. Os cabelos soltos e ondulados escorriam pelos ombros como uma provocação natural. Ela sentou-se diante de Taylor com a leveza de uma dama em um baile e o desprezo de uma rainha que não se curva.
Não lançou sequer um olhar para ele e isso o deixou irritado. Ele lembrou do beijo que deram hoje no riacho, a maneira que ela se entregava nos seus braços e agora ela simplesmente o ignora?
Maria limpou as mãos no pano de prato e tentou manter o tom leve:
— Comam enquanto está quente… senão amanhã vocês enfrentam o fogão sozinhos.
— Obrigada, Maria. — Lila sorriu com doçura treinada, cortando um pedaço da carne com uma precisão quase cirúrgica. O som da faca atravessando a carne ecoou mais alto do que deveria.
Taylor pigarreou alto, pegando um pedaço de pão com força desnecessária, como se o coitado fosse culpado por algo. Catarina mordeu os lábios para não rir.
— A comida está do seu agrado, senhorita Montgomery? — Taylor perguntou, arrastando as palavras com ironia entalada.
Ela nem se deu ao trabalho de olhá-lo.
— Está maravilhosa como sempre, Maria. — respondeu ignorando a pergunta dele.
Ele soltou uma risada curta, seca, sem humor.
— Nossa é até difícil acreditar que alguém tão cheia de frescura goste de comida simples.
Ela mastigou, engoliu, limpou a boca com o guardanapo e então ergueu os olhos, azuis, cortantes, perigosos.
— Pois fique sabendo que aprecio uma boa comida, seja ela simples ou sofisticada. O que não suporto é gente amarga tentando temperar os outros com veneno.
Maria soltou um suspiro exagerado e saiu da cozinha, balançando a cabeça.
Catarina tossiu engasgada.
— Nossa Senhora… — murmurou entre os dentes, com o garfo suspenso no ar.
Taylor se inclinou para frente, com os cotovelos plantados na mesa, e o olhar cravado em Lila como quem se prepara para dar o bote.
— Ah, desculpa. Achei que você estava aqui só por formalidade. Engraçado como se adapta rápido à vida na fazenda…
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Não se preocupe, não pretendo me acostumar. Aliás, se te incomoda tanto dividir a casa comigo, posso muito bem dormir no celeiro. Aposto que o Diablo é mais civilizado que certos cavalheiros daqui.
O garfo de Taylor caiu sobre o prato com um baque metálico. E ele encarou Lila com os olhos furiosos. Ela sorriu e continuou:
— E é mais silencioso também. Diablo não ronca.
Catarina gargalhou alto dessa vez, batendo na mesa.

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