O sol do final da manhã filtrava-se pelas janelas da casa como ouro líquido, iluminando os corredores com delicadeza. A fazenda já estava em movimento, passos apressados no terreiro, vozes distantes chamando os cavalos, o som de alguma ferramenta sendo batida ao longe. Lila, no entanto, caminhava sem pressa, explorando o interior da casa como quem desvendava um mapa antigo.
Ao passar diante da porta do escritório, que estava apenas entreaberta, ouviu uma voz grave, firme e surpreendentemente… sedutora.
— Non è una questione di soldi. È una questione di rispetto.
Era a voz de Taylor e ele falava em italiano.
Lila arqueou uma sobrancelha, surpresa. Encostou-se à lateral da porta, cruzando os braços, ouvindo mais um pouco. O tom dele era baixo, mas intenso. Ele falava com naturalidade, cada sílaba saindo com aquela musicalidade irresistível que só o italiano possui. O som parecia envolver tudo, o ar, o chão, e até o peito dela, que bateu mais rápido do que gostaria de admitir.
Ela sorriu de canto e sussurrou, só para si:
— Olha só… o ogro sabe falar italiano.
— E não é só isso. — veio uma voz às suas costas.
Lila se virou, levemente sobressaltada, e deu de cara com Catarina, que vinha sorrindo com um olhar divertido e uma xícara de chá nas mãos.
— Ele também fala russo, francês, mandarim e espanhol. — completou Catarina, apoiando-se na parede ao lado dela como quem revela um segredo da realeza.
— Sério? — Lila piscou, surpresa, depois corou. — Nossa… isso é… inesperado. O homem mal sabe fazer um elogio, mas recita a ONU inteira se quiser?
Catarina riu alto.
— Taylor é um ogro, mas é um ogro poliglota. Nosso pai sempre foi obcecado por educação formal. Taylor foi pra Europa ainda adolescente, viveu na Itália, passou um tempo em Genebra, estudou na China. Fez tudo o que meus pais queriam apenas para depois comprar a sua liberdade.
— E a liberdade que ele sempre sonhou era se tornar esse ogro bruto com cheiro de cavalo e ar de caubói mal humorado?
— Acho que sim.
Lila sorriu, divertindo-se com a imagem.
— Então ele é tipo uma enciclopédia ambulante disfarçada de pecuarista sexy.
— Exatamente. — Catarina confirmou, tomando um gole de chá. Depois, inclinou a cabeça e olhou para Lila com os olhos brilhando. — E aí, cunhadinha… quer dar uma volta pela fazenda? Podemos ir até a casa do Maurício. Aproveito e te apresento minha sogra. Ela vai adorar saber que a noiva do Taylor é espirituosa e atrevida.
Lila abriu um sorriso largo, e o seu rosto se iluminou com entusiasmo.
— Eu iria adorar.
— Ótimo. — Catarina endireitou-se e deu dois passos para trás. — Vai calçar as botas. Eu preparo os cavalos.
Meia hora depois, sob um céu limpo de nuvens e com o cheiro de terra molhada ainda pairando no ar, as duas montavam seus cavalos diante do celeiro principal. Lila trocou a saia curta por uma calça jeans escura e subiu com uma facilidade surpreendente.
— Você leva jeito. — comentou Catarina, enquanto ajeitava a sela do próprio cavalo. — Quando vi você subindo no Diablo fiquei apavorada pensando que você poderia cair.
— Já montei algumas vezes. Nada tão constante quanto vocês aqui… mas eu me viro. — respondeu Lila, acariciando o pescoço do animal. — Quanto ao Diablo… — Lila sorriu — ele é um fofo.
Catarina subiu no cavalo e encarou a cunhada com a sobrancelha elevada e disse:
— Um fofo? Diablo não suporta ser tocado, acredita que ele mordeu o veterinário? A única pessoa que ele gosta e respeita é o Taylor, mas pelo visto ele escolheu uma segunda pessoa. — disse com um sorrisinho ladino.
Lila sorriu e não disse mais nada.
O som dos passos suaves sobre a trilha de terra batida se misturava ao canto distante dos pássaros e ao farfalhar leve das folhas movidas pela brisa. O céu era de um azul profundo, salpicado de nuvens brancas que passavam devagar, como se não tivessem pressa de chegar a lugar nenhum. As árvores ao redor lançavam sombras alongadas no chão, e um cheiro suave de lavanda silvestre e capim fresco completava a paisagem bucólica.
Lila caminhava ao lado de Catarina, respirando fundo como se precisasse convencer a si mesma de que estava mesmo ali, naquele cenário que parecia ter saído de um cartão-postal. A camisa branca e a calça jeans escura, os cabelos, antes presos, já estavam meio soltos, rendidos ao vento teimoso que insistia em brincar com suas mechas.
Ela parou por um instante, olhando o horizonte que se abria diante delas. A vastidão das colinas cobertas de verde se estendia até onde os olhos alcançavam, e o sol, descendo lentamente no céu, tocava sua pele com a suavidade de um carinho.
Suspirou, deixando escapar o que pesava no peito.
— Confesso que quando meu pai me obrigou a vir para cá, eu cogitei fugir e ser deserdada.

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