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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 63

O som dos cascos dos cavalos reverberava no terreiro poeirento, como um tambor marcando o compasso da tarde que começava a declinar. O céu acima se pintava de um azul profundo, entrecortado por nuvens esparsas que flutuavam preguiçosas. O ar era morno, carregado do perfume de terra seca, da flor, do mato e das folhas que dançavam preguiçosamente nos galhos das árvores altas em volta da varanda da casa de Dona Severina.

Lila ainda estava ali, sentada à mesa de madeira gasta, com a xícara de café já morno entre os dedos, como se o calor do líquido pudesse distraí-la do turbilhão de pensamentos que martelavam sua mente. Estava absorta, mas não tanto a ponto de ignorar o som conhecido que se aproximava.

O galope cadenciado, firme, imponente.

Taylor surgiu primeiro, montado sobre Diablo, o cavalo negro de crina rebelde e andar arrogante. A silhueta dele recortada contra a luz do sol parecia saída de um filme antigo, daqueles em que o herói não precisava dizer nada para dominar a cena. Ao lado, vinha Maurício, mais descontraído, sorrindo com o rosto levemente dourado pelo sol e o chapéu pendendo para trás.

A poeira subiu em redemoinhos quando eles pararam diante da casa. Taylor tirou o chapéu devagar, o olhar escuro varrendo a varanda até pousar exatamente onde queria: em Lila.

Ela sentiu.

Sentiu antes mesmo de olhar. Sentiu como uma descarga elétrica percorrendo a espinha, subindo pelas costas e esquentando a pele do rosto. Fingiu que não viu, fingiu que ainda observava distraída a borda lascada da xícara. Mas ele a via. Ele sempre a via.

— E aí? — disse Taylor, com a voz rouca e carregada daquele tom que parecia um insulto carinhoso, e um toque com luva de ferro. — Por que vocês não avisaram que iam demorar tanto? A Maria já tava quase subindo num cavalo para vir procurar.

Catarina deu um pulo da cadeira, rindo com leveza. Seus cabelos loiros dançavam em seus ombros com o movimento.

— Ai, deixa de drama, Taylor! A gente só ficou batendo papo com a sogrinha. Quando a conversa é boa, o tempo voa.

Ela olhou para o namorado com um sorrisinho sapeca e jogou o corpo contra o dele quando se aproximou. Maurício já havia descido do cavalo, e a recebeu com um abraço apertado, os corpos se encaixaram com intimidade de quem se conhece na alma e na carne. O beijo que veio em seguida foi tudo, menos discreto. Foi um beijo de saudade, de provocação, de quem não se importa com plateia.

Dona Severina, que assistia à cena com a calma de quem já viu muito da vida, apenas sorriu.

— Esses dois vivem em estado de lua de mel. Dá gosto de ver, né não?

Taylor desmontou em silêncio, com aquele jeito firme, como se fizesse parte do cavalo. O olhar voltou para Lila, que agora estava de pé, mas com os braços cruzados sobre o peito. Um gesto defensivo, quase inconsciente, como se aquilo a protegesse do incêndio que se armava no ar entre os dois.

E ele a fitava com calma. Com uma intensidade que esquentava o sangue dela de dentro pra fora. Lila desviou o olhar, fingindo ajustar a alça da camisa. Precisava de um movimento qualquer, algo que impedisse seu corpo de tremer como uma folha diante daquela presença.

Taylor não disse nada. Mas a contração discreta da mandíbula entregava tudo que ele segurava dentro.

Foi Dona Severina quem quebrou o silêncio carregado de não-ditos:

— Vocês deviam ir pro riacho. O sol tá descendo, a água tá fresquinha. Refresca o corpo, clareia a mente... e alivia até desejo mal resolvido. — soltou com um sorrisinho malicioso nos cantos dos lábios.

Catarina, que já voltava para a varanda de mãos dadas com Maurício, virou-se para Lila com brilho malicioso nos olhos.

— Vamos, Lila! Tá esperando o quê? Um convite assinado? Aquela água ali faz milagre. Cura dor nas costas, dor no coração… e até coceira no pensamento.

— Coceira no pensamento? — Lila arqueou uma sobrancelha, rindo.

— Pense rápido, porque eu já tô indo pegar ele pra você. — disse Catarina, já subindo as escadas da varanda com Maurício atrás.

Lila balançou a cabeça e suspirou, ainda corando, ainda sentindo o calor nos olhos de Taylor. Quando olhou de relance para ele, viu que ele a observava de novo, mas dessa vez com um sorrisinho contido no canto da boca. Meio envergonhado, meio tentado.

Então ele falou, de forma inesperada:

— Podem ir na frente.

Todos pararam e olharam pra ele.

— Eu chego depois. — completou, montando novamente em Diablo.

O tom era tranquilo. Mas o olhar que lançou a Lila era tudo, menos calmo, soava mais como um aviso, uma sentença.

Ela engoliu em seco.

Porque sabia, com cada célula do corpo, com cada suspiro que precisava controlar, que aquele banho no riacho ia ser mais que um refresco. Ia ser um mergulho em algo que ela ainda não sabia se conseguiria sair inteira.

E, no fundo, talvez nem quisesse.

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