O quarto estava mergulhado numa penumbra que parecia ter peso, uma penumbra espessa, quase tátil, como se pudesse ser tocada. A única luz vinha filtrada pelas frestas da janela, projetando filetes prateados sobre o chão de madeira e sobre a colcha clara. Lá fora, a noite guardava um silêncio profundo, quebrado apenas pelo coro distante dos grilos e pelo sussurro do vento se enroscando nas copas das árvores.
Ali dentro, porém, o silêncio tinha outra natureza. Era um silêncio vivo, carregado, elétrico. Um silêncio que ardia na pele e que podia se romper a qualquer instante.
Taylor tinha se afastado de Lila, agora estava sentado na beira da cama, inclinado para frente, com os cotovelos apoiados nas coxas. Os músculos dos braços e ombros estavam tensos, como cordas esticadas prestes a arrebentar. A respiração ainda estava regular… mas cada vez menos. O maxilar marcado denunciava a luta interna que ele travava com uma força que só ele conhecia. Ele ainda podia sentir o toque ousado dela há segundos, seu corpo todo implorava por isso, mas sua mente lhe trazia de volta a realidade lhe alertando que isso era errado e que ela estava bêbada.
Lila agora estava deitada a seu lado, mas longe de estar entregue ao sono. Seus olhos, semicerrados, tinham aquele brilho traiçoeiro de quem calcula o próximo passo. A boca, ligeiramente curvada num sorriso preguiçoso e malicioso, parecia se divertir com a tensão que emanava dele.
Bêbada? Sim. Mas longe de estar inconsciente. Ela sabia o que fazia. E, mais ainda, sabia o que provocava.
Sem avisar, ergueu-se e se moveu atrás dele, deslizando os braços ao redor do pescoço forte. O gesto foi lento, como quem arma uma armadilha. Sua boca roçou a pele quente da nuca dele, um toque quase imperceptível, mas que fez a respiração dele prender no ato. Depois, ela deixou que os lábios subissem até o maxilar e descessem pelo pescoço, deixando um rastro morno e úmido.
Taylor fechou os olhos, enquanto fechava sua mão com força tentando controlar o desejo insano de possuí-la.
O beijo não tinha pressa. Era calculado, desenhado para acender e manter a chama no ponto certo. Os lábios dela exploravam cada centímetro como se mapeassem um território proibido.
— Você me enlouquece… — sussurrou, com a voz arrastada, grave, carregada de desejo e com a rouquidão típica de quem bebeu mais do que devia, mas não perdeu o rumo. — Você nem precisa fazer nada… só de te olhar… eu fico assim.
A mão dela deslizou pela lateral do corpo dele, descendo até a barra da calça jeans. Subiu devagar, encontrando a camisa de malha por baixo. Passou por ela, e seus dedos tocaram a pele quente do peitoral firme. O toque não foi apressado. Traçava linhas suaves, acompanhando cada contorno dos músculos, sentindo a pulsação acelerada sob a pele fazendo Taylor prender o ar e trincar o maxilar com força.
— Lila… — a voz saiu rouca, mais grave do que ele gostaria. — Para com isso…
— Por quê? — ela colou o corpo ao dele, o calor de suas curvas se encaixando às costas dele. — Você não quer?
— Você tá bêbada. — A frase foi curta, quase um aviso, mas soou mais como um pedido que ele mesmo não acreditava.
Lila riu baixinho, um riso quente, maldoso. Encostou os lábios na orelha dele, roçando a pele sensível fazendo ele estremecer.
— Tô… — confessou, divertida. — Estou bêbada, não burra. Sei exatamente o que tô fazendo.
A mão dela desceu, deslizando pela barriga dele, lenta como se cada centímetro fosse parte de um ritual. Parou no cós da calça jeans, brincando com a costura. Taylor se afastou apenas o suficiente para tentar recuperar o fôlego, mas o corpo já o traía.
— Lila, isso não tá certo…
— Tá sim. — Ela interrompeu, a boca tão perto de seu ouvido que ele podia sentir cada palavra como um sopro úmido. — Tá certo porque eu tô aqui… e você tá aqui… e eu quero você. E você me quer também. De dia, a gente pode fingir… mas agora… não tem ninguém vendo.
Taylor virou o rosto para ela, os olhos azuis estavam escuros faiscando em meio à penumbra. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi Lila quem invadiu o espaço entre eles. Tocou o canto da boca dele com um beijo leve. Depois outro, mais próximo. E mais um, que deixou o hálito dela se misturar ao dele. A língua roçou a curva da mandíbula dele, lenta, como quem testava limites, fazendo ele gemer baixinho, como um suspiro involuntário.
— Lila… não faz isso comigo.

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