O sol do fim da tarde caía direto sobre as fachadas antigas da cidade, clareando cada rachadura e cada tijolo gasto. O ar estava quente, carregado com o cheiro de pão fresco da padaria e café recém-moído do armazém.
Encostado na caminhonete, Taylor observava a rua com a calma de quem não tinha pressa. O jeans gasto moldava-lhe as pernas longas e fortes, e a camisa clara de botões, aberta no colarinho, tinha as mangas arregaçadas até os cotovelos, revelando o bronze dos braços e a força de quem vivia entre o campo e o sol.
Maurício, ao lado, conferia a lista de compras.
— Peças, ração, ferramentas… fechou tudo. Depois é só estrada. — disse ele, marcando algo no bloco.
— Ótimo. Quanto antes voltarmos, melhor. Estou morrendo de fome. — respondeu Taylor, ainda olhando distraído para o movimento.
— Eu tenho uma pergunta séria. — Maurício disse, enfim.
— Lá vem.
— Se hoje à noite, depois do jantar, Lila aparecer na cozinha, encostar no balcão, te olhar com aquela cara de “vem, ogro”, o que você faz?
Taylor manteve os olhos na rua por uns segundos. Depois, respondeu sem ironia:
— Eu pergunto se ela está sóbria.
— Boa. — Maurício bateu palmas uma vez. — E se ela estiver?
Taylor se calou. Não sabia o que iria fazer, no fundo, tinha passado o dia inteiro na rua fugindo. Uma parte dentro dele queria que Lila lembrasse, outra que não. Mas a única coisa que ele tinha certeza, era que não sabia se conseguiria resistir novamente a ela.
Foi então que Amanda surgiu na esquina.
Vinha de uma carona improvisada, o cabelo castanho-escuro estava solto, caindo sobre os ombros. A camisa branca de botões estava levemente ajustada, amarrada na cintura, revelando um pouco de pele acima do jeans justo que moldava-lhe as pernas e quadris. As botas de couro batiam no asfalto com firmeza.
E, com cada passo que dava, lembranças voltavam.
Aquela única noite, na casa dele, no quarto dele. A noite em que esteve nos braços de Taylor. De como ele a beijou, de como os dois se amaram. A noite do aniversário de Catarina, em que ele bebeu além da conta. Amanda lembrava de como ele a fez mulher, da alegria que sentiu e logo pela manhã, da tristeza que se apossou quando ele a procurou preocupado.
— Amanda, aconteceu alguma coisa entre nós dois?
Aconteceu sim… mas ela mentiu. Porque foi doloroso ver nos olhos dele, arrependimento. Ela nunca contou a ninguém. Nem mesmo a sua melhor amiga, porque queria guardar esse momento apenas para ela.
E agora, vê-lo ali, encostado na caminhonete como se nada tivesse acontecido, fez seu coração acelerar.
Ela parou diante dele, com um sorriso que misturava provocação e ferida escondida.
— E aí, cowboy… tá solteiro?
Taylor se virou, e o sorriso largo que deu ao reconhecê-la fez o estômago dela revirar.
— Ei, maluquinha! O que está fazendo aqui?
— Vim visitar minha amiga que resolveu trocar a cidade pela vida no campo. — respondeu, cruzando os braços. — E acabei esbarrando com você.

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