A estrada de cascalho se alongava diante da caminhonete, e cada metro que se aproximava da fazenda parecia trazer com ele uma mudança sutil no ar. O cheiro de terra úmida se misturava ao de capim recém-cortado, e ao longe já se podia ver o portão de madeira com o brasão da família.
Lá no terreiro, a tarde se pintava em tons quentes. O sol descia devagar, banhando a varanda em uma luz dourada que parecia transformar cada detalhe, desde o brilho das folhas até o pó que se levantava sob o vento.
Na varanda, Catarina e Lila conversavam. Catarina gesticulava, falando animada sobre a noite quente com Mauricio, enquanto Lila, com uma xícara de café entre as mãos, assentia, meio distraída, olhando de tempos em tempos para a estrada.
O ronco do motor quebrou o silêncio do lugar. O som dos pneus triturando o cascalho fez as duas se voltarem quase ao mesmo tempo.
Lila esboçou um pequeno sorriso, um reflexo automático ao reconhecer a caminhonete de Taylor. Mas o que esperava ver, na sequência, não foi o que aconteceu.
A caminhonete parou.
Primeiro, a porta do motorista se abriu, e Taylor desceu com a naturalidade de sempre. Usava jeans surrado, camisa clara de botões arregaçada nos antebraços e o chapéu ligeiramente inclinado para frente, bloqueando parte do rosto, mas não o suficiente para esconder o olhar tranquilo. Ele contornou o carro para abrir a porta do passageiro… e foi então que uma mulher apareceu.
E a forma como ela desceu fez Lila, de imediato, sentir o café perder o gosto.
A mulher saltou do banco com um movimento leve, o cabelo castanho-escuro solto, balançando sobre os ombros. O jeans justo moldava suas pernas e quadris, a camisa branca de botões estava ajustada e levemente amarrada na cintura, e as botas de couro marrom levantaram uma pequena nuvem de pó ao tocarem o chão.
E antes mesmo que alguém dissesse qualquer coisa, Amanda se aproximou de Taylor com a naturalidade de quem tinha o direito de fazê-lo. Com um sorriso largo, enlaçou os braços ao redor dele e o puxou para um abraço rápido, mas suficientemente próximo para que todos pudessem ver.
— Ei… — disse ela, com o tom carregado de intimidade. — Mais tarde vai me levar naquela cachoeira, ouviu, cowboy?
O canto da boca de Taylor se curvou num meio sorriso distraído.
— Eu costumo cumprir o que prometo. — respondeu ele, meio divertido.
Mas para Lila, que observava da varanda, aquilo foi como um soco no estômago.
O abraço, o tom, o apelido… e aquela frase, como se um convite para ir à cachoeira fosse algo normal entre eles.
Catarina, ao lado, sorriu surpresa ao ver a amiga.
— Amanda?! Mas o que você tá fazendo aqui? — desceu dois degraus da varanda para ir ao encontro dela.
— Resolvi visitar minha amiga que sumiu no mato. — respondeu Amanda, abrindo os braços para Catarina e abraçando-a com entusiasmo, como se a chegada fosse um evento feliz e inocente.
Maurício, que vinha fechando a tampa da caçamba, observava a cena com expressão fechada. Não precisou de muito para entender o que estava acontecendo, ou melhor, o que poderia acontecer. Ele sabia, desde muito antes, da paixão silenciosa de Amanda por Taylor. Sabia também que ela não era de perder oportunidades. E agora, vendo aquele abraço e ouvindo o convite para a cachoeira, sua certeza se consolidava: aquilo ia dar problema.
E o problema tinha nome: Lila.

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