Maldito seja, Taylor Remington Miller.
Entrei em casa como uma tempestade contida, com os saltos afiados estalando pelo mármore polido como trovões abafados. A mansão inteira parecia me observar, os lustres, as paredes frias, os espelhos que refletiam demais. Tudo naquela perfeição arquitetônica me sufocava. Tudo cheirava a imposição, a controle, a escolhas que nunca foram minhas.
E agora… agora ele também.
Taylor.
O homem que eu deveria, por conveniência e tradição, aceitar como noivo. O homem que ousou me beijar.
Meu corpo ainda estava em brasa. O vestido grudava na pele como um lembrete impiedoso do toque dele. Meus lábios ainda ardiam, não só pela pressão dos beijos, mas pela humilhação de ter gostado e ter respondido.
Assim que entrei no saguão, meus pais se aproximaram como dois juízes aguardando minha confissão. Meu pai já vinha com o cenho franzido e a expressão severa que usava quando queria parecer calmo. Minha mãe tremia com uma taça de champanhe na mão, mas sua voz veio firme.
— Lila, isso foi… — começou meu pai, a decepção escorrendo pelas palavras.
— Uma cena lamentável — completou minha mãe. — Você tem noção do estrago que quase causou? Você ofendeu o seu noivo, agiu como uma menina mimada e sem educação. Você sabe o que está em jogo. Sabe o que isso representa para nossa família?
— Representa que talvez vocês finalmente entendam que eu não sou um objeto para ser leiloado. — Minha voz saiu afiada, tão cortante quanto meus saltos.
— Não dramatize, Lila, — disse minha mãe, mas seus olhos estavam duros. — Você tem noção do que fez hoje a noite? Do estrago que isso pode causar? Os acionistas…
— E O ESTRAGO QUE ISSO ESTÁ FAZENDO NA MINHA VIDA? ME CASAR COM UM HOMEM QUE DETESTO?
Eles me encararam surpresos com o que eu tinha revelado e antes que minha mãe pudesse dizer mais alguma coisa respondi:
— Deixem-me em paz.
— Lila...
— Eu disse: me deixem em paz! — repeti, elevando o tom, com os olhos brilhando não de lágrimas, mas de pura fúria. — Já escolheram me amarrar ao boiadeiro para firmar alianças, agora me deixem sentir raiva. Ainda sou dona de meus sentimentos!
E então subi.
Cada degrau era um grito mudo, uma luta contra a vontade de chorar, de socar as paredes, de gritar até o teto desabar.
Entrei no quarto e fechei a porta com força. Apoiei a testa contra a madeira fria, tentando controlar a respiração. O quarto parecia o mesmo de sempre: elegante, silencioso, refinado. Mas algo ali dentro tinha mudado.
Eu.
Algo em mim já não cabia ali.
Caminhei até o espelho e o encarei. Meus lábios estavam inchados, vermelhos, marcados, doloridos.
Aquilo não era apenas um beijo. Foi uma invasão, um raio que atravessou a minha resistência. E o pior, eu havia deixado.
Passei os dedos devagar sobre a boca, como se pudesse apagar a lembrança. Mas ela ainda estava ali. O calor do seu corpo, o gosto do seu beijo, o toque da sua língua na minha. A maneira que suas mãos seguraram em minha cintura. O modo como ele me puxou com aquela força que dizia:
“você é minha, mesmo que por um segundo”.
— Isso não aconteceu — murmurei, me virando de costas, tentando me afastar de mim mesma.
Desci o zíper do vestido com impaciência. O tecido deslizou pelos ombros até o chão, deixando minha pele exposta ao frio do ar condicionado e ao calor das lembranças. Entrei no banheiro e liguei o chuveiro com toda a força. A água quente escorreu por mim como uma tentativa desesperada de apagar Taylor Remington Miller da minha pele.

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