Taylor Remington Miller
Maldita seja, Lila Montgomery.
É tudo em que consigo pensar enquanto dirijo pela estrada sinuosa que leva até de volta a minha fazenda. As rodas da caminhonete deslizam sobre o asfalto limpo, e o silêncio da noite só é interrompido pelo farfalhar distante das árvores e o ronco grave do motor.
Nada aqui consegue disfarçar o incômodo que ela provoca em mim.
Ela estava ao meu lado, calada, com os braços cruzados e o queixo erguido como se não tivesse acabado de perder o controle minutos atrás.
A mesma mulher que vive cercada por luxo, arrogância e porcelanas caras. A mesma que me olhou com desprezo quando pisei na casa dela pela primeira vez, com as botas sujas de barro e o sotaque carregado de campo. A mesma que me provoca com cada palavra doce e ferina, como se o mundo fosse um tabuleiro de xadrez e ela, a rainha intocável.
Mas dentro da minha caminhonete, ela não era intocável.
Ela era minha.
A imagem volta sem que eu precise forçar: o jeito como a boca dela vacilou quando me aproximei, o som da sua respiração, a hesitação. E então, o choque quente do beijo.
Eu não consegui me conter e acabei a beijando.
O que ninguém sabe é que sempre a desejei desde o dia em que a vi pela primeira vez. A maneira que ela encara as pessoas, sua língua afiada, seu jeito arrogante…. tudo naquela garota me desestabiliza, mas ninguém nunca soube disso. Mas hoje, eu vi nos olhos dela, o mesmo fogo que arde em mim.
E isso me deixa irritado.
Porque eu deveria estar indiferente. Deveria estar cumprindo minha parte do maldito acordo sem me envolver, sem ceder. Mas agora, cada vez que fecho os olhos, vem à minha mente a imagem da mulher que quero domar.
A herdeira mimada. A socialite que despreza tudo o que represento, ainda sim, me beijou como se o mundo estivesse acabando.
Droga e como eu desejei por mais!
A imagem volta clara, tão vívida quanto o céu limpo acima de mim. A forma como ela me olhou antes que eu a puxasse. A hesitação que se perdeu no instante em que seu corpo colidiu com o meu. O calor da pele dela através do tecido fino do vestido, a respiração ofegante, o olhar arregalado e, por fim, a rendição.
Ela lutou, claro que lutou. Lila Montgomery não é do tipo que se entrega fácil. Ela é criada para dominar, não para ceder. Mas eu senti. Eu juro por tudo que é mais sagrado, eu senti quando ela parou de me empurrar. Quando os lábios dela se moldaram aos meus como se finalmente tivessem encontrado o lugar certo. Quando a língua dela tocou a minha e tudo pareceu explodir por dentro.
Aquele beijo me destruiu e me reconstruiu de uma forma que me deixou furioso.
Ela tem gosto de desafio. De vinho caro com veneno. De perigo em forma de mulher. Um tipo de sabor que fica na boca mesmo depois de você prometer a si mesmo que vai esquecer. O perfume floral misturado ao calor do corpo dela ainda parece impregnado nos meus dedos. E, por mais que eu queira apagar, por mais que eu tente fingir que foi só um impulso… não foi.
Foi muito mais do que isso.
— Maldita — resmungo para mim mesmo, batendo com ambas as mãos sobre o volante do carro.
Eu odeio esse noivado. Odeio todo esse teatro. Odeio me ver usando roupas que não fazem parte de mim, sorrindo para pessoas que não significam nada.
Mas acima de tudo… eu odeio o que ela desperta em mim.
Desde quando eu, Taylor Remington Miller, aceitou jogar esse jogo ridículo? Desde quando eu baixo a cabeça para fazer parte de uma união arranjada? Desde quando eu sou o homem que aceita ser empurrado para uma cerimônia só porque alguém decidiu que isso traria bons frutos?
Desde Magnólia Remington Miller, minha avó paterna.

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