Do lado de fora, os passos pesados de botas ecoaram pelo corredor. Lila, deitada de lado na cama, prendeu a respiração. Sabia de quem eram.
— Lila. — a voz grave de Taylor soou, abafada pela madeira da porta. — Abre.
Ela permaneceu imóvel, com os olhos fixos na parede. Talvez se ficasse em silêncio, ele desistiria.
Mas Taylor não desistia fácil. Suspirou e bateu três vezes na porta.
— Eu sei que você tá aí. A gente precisa conversar.
Lila se ergueu num salto, com os olhos faiscando. Caminhou até a porta e a abriu de supetão, sem se importar com as lágrimas ainda frescas em seu rosto.
— Conversar?! — sua voz saiu trêmula, carregada de fúria. — Sobre o quê? Sobre como eu fui “inconsequente”? Ou sobre como a sua querida Amanda tem sempre razão?
Taylor arregalou os olhos por um segundo, surpreso com a reação dela, mas logo seu semblante endureceu.
— Não coloque palavras na minha boca. Eu só disse que você podia ter se machucado. E podia mesmo! Você tem ideia do que teria acontecido se aquele cavalo tivesse escorregado?
— Eu sei muito bem me cuidar! — retrucou, erguendo o queixo. — Não preciso que você, Catarina e Amanda fiquem decidindo a minha vida!
Ele deu um passo à frente, quase invadindo o quarto, mas parou na soleira. O maxilar dele travou de tanta tensão.
— Você acha que eu não me importo? Eu fiquei maluco quando vi você sumindo na chuva! Você não tem noção do que eu senti!
Lila riu, um riso curto e amargo.
— Ah, claro. Ficou maluco… como qualquer homem ficaria quando a mulher que finge ser sua noiva resolve dar trabalho. Não foi preocupação, Taylor. Foi só obrigação.
As palavras dela atingiram-no em cheio. Ele piscou algumas vezes, incrédulo.
— Você realmente acredita nisso?
— Eu acredito no que eu vi e ouvi. — Lila disparou, com a voz embargada. — Você é como todo homem Taylor, age por instinto.
Taylor passou a mão pelos cabelos molhados, respirando fundo como quem tenta controlar um incêndio por dentro.
— Você acha que eu sou o quê? Um moleque?
— Acho que você é um homem, Taylor. — ela cuspiu as palavras como veneno. — E homens… pensam com o corpo, não com a cabeça.
O silêncio caiu pesado. Sua respiração estava acelerada, porque ele tentava controlar o que sentia.
— Você não faz ideia do que tá falando.
— Não? — ela avançou um passo, com os olhos brilhando de lágrimas. — Então me explica, porque eu não tô entendendo nada! Uma hora você me beija como se fosse me devorar viva, na outra fica calado enquanto a sua amiga me chama de irresponsável na frente de todo mundo!
Taylor estreitou os olhos, passou a mão pelos cabelos e respondeu com a voz baixa, porém cortante:
— Eu não fiquei calado. Eu defendi você do jeito que deu.
— Do jeito que deu? — ela ironizou. — Chamando-me de inconsequente?!
Ele suspirou, exasperado.
— Eu estava preocupado, Lila! Você não entende?! Não é sobre Amanda, nem Catarina, nem sobre essa farsa toda! É sobre você!
Ela ficou em silêncio por um instante, o coração disparado. Mas a mágoa falou mais alto.
— Pois se é sobre mim… então me deixa em paz. Como você mesmo deixou bem claro, tudo isso é uma FARSA, então não precisa incorporar o papel de “noivo” preocupado eu abro mão disso!
E antes que ele pudesse responder, ela se aproximou e bateu a porta com força na cara dele.
Taylor ficou parado no corredor, com a respiração pesada e o punho fechado contra a madeira. Por um instante, pareceu que bateria de volta, que entraria mesmo sem permissão. Mas recuou. Ele sabia que se por acaso voltasse, essa briga não teria fim. Precisava esfriar a cabeça. Passou a mão pelo rosto, murmurou um palavrão abafado e foi embora, deixando apenas o eco dos passos e um vazio ainda maior atrás de si.

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