Na casa simples de Maurício, o cheiro de madeira úmida e fumo impregnava o ar. Ele acendeu o lampião sobre a mesa de madeira pesada e foi até o armário, de onde puxou uma garrafa de vidro fosco, cheia de um líquido dourado que quase queimava só de olhar.
— Cachaça de Dona Severina. — anunciou, com um meio sorriso. — Se não resolver, pelo menos anestesia.
Taylor pegou o copo sem cerimônia, virou a primeira dose inteira de uma vez só e tossiu, sentindo o fogo descer queimando a garganta até o estômago.
— Desgraça de forte… — resmungou, batendo o copo na mesa.
Maurício riu e se serviu também, mas bebeu devagar.
— Agora fala, cabra. O que diabos aconteceu? Você tá parecendo um cavalo chucro. — disse, rindo. — Qualquer coisa já sai empinando, batendo os cascos, bufando.
Taylor lançou-lhe um olhar atravessado, mas não conseguiu esconder o canto da boca se contraindo.
— Não tô de brincadeira, Maurício. — resmungou.
— Eu sei que não tá. — respondeu, sério por um instante. — Mas deixa eu te dizer uma coisa: essa teimosia da Lila… é a mesma força que faz ela diferente. Você queria o quê? Uma bonequinha que abaixasse a cabeça pra tudo que você fala?
Taylor soltou um resmungo, coçou a barba que começava a crescer e desviou o olhar para o fogo da lareira.
— Eu só queria que ela entendesse que não é tudo na base da rebeldia.
— E você queria o quê, que ela fosse igual à Amanda? — Maurício provocou, apontando o copo na direção dele. — Quietinha, calada, apenas tentando te comer pelas beiradas?
— Não viaja, a Amanda é apenas uma amiga.
— Uma amiga que é apaixonada por você! Ah Taylor, a Lila nunca vai ter a personalidade da Amanda e foi exatamente isso que fez você gostar dela.
Taylor respirou fundo, mas o riso curto que escapou dele denunciou que a raiva começava a ceder.
— Você sempre tem resposta pra tudo, né?
Maurício deu de ombros.
— É o dom dos cunhados. A gente serve pra beber, ouvir desabafo e dizer a verdade que ninguém mais tem coragem. — Bebeu mais um gole e completou: — Além disso, eu conheço bem as mulheres dessa família. Catarina é igualzinha, quando mais você tenta mandar, mais ela faz o contrário.
Taylor se recostou no sofá, largando a garrafa sobre a mesa. Por alguns segundos ficou em silêncio, com os olhos fixos no fogo. Depois, bufou e murmurou:
— Ela disse que eu ajo por impulso… que sou igual a todos os outros homens.
Maurício riu.
— E não é verdade? Você é cabeça quente desde moleque, Taylor. Mas tem uma diferença, você não age só por impulso. Você age porque sente demais. E é isso que ela ainda não percebeu.
O cowboy suspirou, passando a mão pelos cabelos úmidos.
— Eu tô com medo de perder a paciência de vez, Maurício. Às vezes dá vontade de segurar ela pela cintura e beijar aquela boca atrevida e gostosa até ela entender o que eu quero!
— E o que você quer? — Maurício provocou, erguendo a sobrancelha.

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