Lila tomou um gole de café. Forte, amargo, honesto. Como precisava ser. Lá fora, a chuva, finalmente, tinha parado. Aqui dentro, ninguém ousaria dizer que o tempo abriu — mas todo mundo sentiu que o ar, ainda que pesado, estava mais respirável. E havia um certo gosto de vitória silenciosa no sorriso de Catarina e Maria, que não precisava de palavra nenhuma para ser entendido.
Lila subiu o corredor com a bandeja equilibrada entre as mãos, o coração batendo mais rápido do que deveria. Empurrou a porta devagar e, ao entrar, deu de cara com Taylor saindo do banheiro. O vapor ainda escapava por trás dele, e a toalha branca estava presa apenas pela mão firme na cintura. O cabelo molhado caía em mechas rebeldes pela testa, e as gotas de água deslizavam lentamente pelo peito largo até desaparecerem sob o tecido.
Lila parou de súbito, sentindo o rosto pegar fogo, mas se obrigou a manter a compostura.
Maria entrou logo atrás, prática, sem dar espaço para constrangimento. Colocou a bandeja sobre a cama, ajeitando o pano com cuidado.
— Pronto. Chá forte de limão, erva-cidreira e camomila. Vai ajudar a limpar essa cachaça toda do seu sangue.
Taylor olhou a bandeja, depois ergueu os olhos diretamente para Lila, e fez um bico provocador, quase infantil.
— Não quero esse chá horroroso.
Maria cruzou os braços, levantando o queixo.
— Vai tomar sim. Porque, se não tomar, eu telefono pra sua mãe e conto a bobagem que o senhor aprontou ontem.
Ele deitou-se na cama sem cerimônia, virando de lado e fechando os olhos como se fosse dormir ali mesmo.
— Pode telefonar. Não tô nem aí.
Lila sentiu o sangue subir-lhe às faces. A raiva queimou na mesma medida em que o rubor a denunciava. Deu dois passos decididos até a beira da cama, inclinando-se sobre ele, com a voz firme e cortante.
— Pois você vai tomar sim esse chá que a Maria fez. Pare de agir como um moleque, Taylor Miller.
Taylor abriu um dos olhos e sua boca se curvou num meio sorriso debochado. Havia desafio e provocação naquele olhar, mas também algo mais profundo, escondido debaixo da embriaguez da noite anterior e da ressaca cruel da manhã.
Maria, de braços cruzados, observava a cena de canto, satisfeita, como quem já sabia que dali sairia mais do que simples obediência.
Taylor abriu um dos olhos e soltou um resmungo preguiçoso.
— Eu já disse que não quero. Chá não vai curar nada. O que eu preciso é dormir.
Ele se virou de costas, esticando o braço para segurar melhor a toalha na cintura, claramente decidido a ignorar tanto Maria quanto Lila.
— Moleque teimoso… — murmurou Maria, bufando. — Se vira com ele, menina, porque eu não vou perder tempo discutindo.
E, como quem sabia exatamente o que estava fazendo, Maria saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Lila respirou fundo, sentindo os olhos queimar de raiva. Se aproximou da bandeja, pegou a xícara de chá e se aproximou da cama, inclinando-se sobre ele.
— Você vai tomar isso agora, Taylor Miller.
Ele virou o rosto na direção dela, com os olhos ainda semicerrados pela ressaca, mas com um brilho malicioso que não combinava nada com o estado deplorável em que estava.
— Vai me obrigar, noivinha de mentira?
— Vou. — retrucou ela sem hesitar.
Taylor riu fraco, debochado.
— Então quero ver.

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