Lila desceu as escadas com o robe mal fechado, as bochechas ainda coradas e o olhar faiscando. Sua fisionomia, denunciava que algo tinha acontecido. Ela tentou passar direto, mas Amanda ergueu os olhos da revista e sorriu de canto, venenosa.
— Ora, olha só quem voltou do quarto do noivo. — disse com a voz melosa. — Parece… irritada. Não conseguiu convencer o cowboy a tomar o chá?
Lila parou bruscamente, sentindo o sangue subir ainda mais.
— Não começa, Amanda.
— Eu não disse nada de mais. — Amanda ergueu as sobrancelhas, inocente. — Só que… pela sua cara, parece que as coisas não saíram como esperava.
O silêncio da cozinha foi quebrado apenas pelo riso contido de Catarina, que abaixou a cabeça fingindo se concentrar no celular para não gargalhar. Maria, do fogão, virou-se com uma colher de pau na mão e um sorrisinho maroto escondido no canto da boca.
— Pode rir, Maria. — Lila disparou, apertando o robe contra o corpo. — Todo mundo nessa casa parece se divertir às minhas custas.
— Eu não tô rindo de você, menina. — Maria respondeu, embora a expressão a desmentisse. — Só acho engraçado como o patrão fica manso quando a senhorita tá por perto.
Catarina finalmente ergueu os olhos, e o sorriso largo surgiu no seu rosto.
— Manso? Eu diria que fica domado. Igual cavalo bravo quando alguém sabe pegar na rédea certa.
Amanda cruzou as pernas sentindo o corpo ser consumido pelos ciúmes e soltou:
— Pois espero que essa rédea escorregue…
Lila fechou os punhos, sentindo o coração acelerado dentro do peito.
— Não se preocupe, Amanda. Se um dia ele resolver escapar, eu mesma solto de vez, ai você tenta pegar as rédeas e quem sabe não consegue o que finalmente deseja? Não preciso disputar o que não me interessa.
A resposta seca deixou a mesa em silêncio por alguns segundos. Amanda fechou a revista devagar, encarando Lila com aquele olhar de guerra fria. Catarina e Maria trocaram um rápido olhar cúmplice, ambas sorrindo satisfeitas.
— Vou para o meu quarto!
Respondeu Lila dando as costas e saindo. Catarina colocou o celular sobre a mesa e encarou Amanda nos olhos e perguntou:
— O que ta acontecendo com você Amanda?
— Não esta acontecendo nada.
— Como nada? Você tem provocado minha cunhada o tempo inteiro.
— Sua cunhada? Fala sério Catarina, nós duas sabemos que esse noivado é apenas uma armação. Essa garota mimada não é o tipo de mulher que chama a atenção do seu irmão.
Catarina se acomodou melhor na cadeira e cruzou os braços.
— E qual é o tipo de mulher que interessa ao meu irmão, Amanda?
Amanda engoliu seco e antes de responder a pergunta da amiga, a porta da sala foi aberta e Maurício entrou por ela, chamando a atenção de Catarina que quando viu o namorado, não hesitou e se levantou correndo para os seus braços.
— Ah, claro, a noivinha de mentirinha, dando uma de enfermeirinha da fazenda. — soltou, melosa. — Até parece que ele precisa de babá.
— É verdade, Amanda. — cortou Maurício, tirando o chapéu e largando-o sobre a poltrona. — Ele precisa mesmo é de uma mulher como a Lila para aquecer os seus lençóis e o coração dele. Precisa de ar fresco, silêncio… e não de pessoas que acham que vão conseguir algo mais vindo dele.
Amanda arqueou a sobrancelha, ferida no orgulho, mas manteve a compostura.
— Não seja grosso, Maurício. Só estou preocupada.
— Preocupação boa não vem embrulhada em alfinete. — Maria comentou, passando atrás com um prato de biscoitos. — E a minha cozinha não é sala de tribunal para interrogatório de quem não tá aqui pra responder.
Catarina pousou a mão no antebraço de Maurício, como quem diz “calma”.
— Pois bem, vou lá em cima ver se ele ainda está vivo. Até mais vê.
Catarina viu o namorado subir as escadas e quando já não mais conseguia ver a silhueta dele, virou para a amiga e disse com seriedade:
— Espero que controle os seus ciúmes Amanda. Taylor agora é um homem comprometido, está noivo e daqui a uns meses vai casar. Eu sei sobre os seus sentimentos pelo meu irmão, mas você também sabe que ele jamais os retribuiu. Então é melhor tirar de uma vez por todas o Taylor do seu coração, porque você não tem chance alguma.
— E por acaso ela tem?
Catarina desviou o olhar da amiga e com uma tristeza nos lábios disse:
— Tem mais do que você possa imaginar.

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