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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 87

Maurício empurrou a porta com os nós dos dedos, sem fazer alarde, e deixou que a penumbra do quarto o recebesse com o cheiro morno de vapor e chá recém-feito. A janela entreaberta deixava entrar um fiapo de vento úmido, a toalha estendida na cadeira denunciava um banho apressado. Sobre a mesa de cabeceira, ao lado de um relógio parado e de uma compressa já fria, a caneca vazia que Lila trouxera mais cedo ainda exalava um resquício de hortelã com capim-cidreira. No centro de tudo isso, deitado atravessado na cama como quem perdeu a noção de onde o corpo termina e o colchão começa, estava Taylor, só de toalha amarrada na cintura, o peito largo ainda com gotas teimosas que desciam como pequenos trilhos de água.

Maurício encostou o ombro no batente por um segundo, sorrindo ladino já pronto para cutucar o amigo. Deixou o chapéu descansar no puxador da cômoda, avançou dois passos, e anunciou a presença do jeito mais delicado que sabia: nenhum.

— E aí, cowboy… tá vivo? — perguntou, com a voz baixa e bem-humorada, como quem cutuca um urso com uma espiga de capim.

Taylor abriu um olho primeiro, depois o outro, piscando devagar até o mundo entrar em foco. Quando reconheceu o amigo, a expressão cansada abriu espaço para um sorriso torto, daqueles que nascem no lado mais safado da alma.

— Tô fodido. — confessou, sem rodeio, com a voz rouca de quem atravessou um deserto de cachaça e febre. — Depois de ontem… Olha… eu disse alguma merda?

Maurício deixou escapar um assobio curto, teatral, e foi se aproximando da cama com passos que já tinham a malícia do contador de histórias.

— “Alguma” é bondade sua. — respondeu, puxando a cadeira e virando o encosto ao contrário para sentar com os braços apoiados e o queixo nas mãos. — Você fez uma coletânea. Volume um, dois e três, edição comentada.

Taylor levou a mão à testa e gemeu um som que misturava dor física com vergonha antecipada.

— Meu Deus… — murmurou. — Então foi ruim?

— Depende do ponto de vista. — Maurício sorriu, com os olhos acesos. — Pro público, foi um espetáculo. Pro seu orgulho… hm… um verdadeiro mico.

O cowboy tentou se erguer um pouco, apoiando o cotovelo no travesseiro. A toalha ameaçou cair, mas ele a segurou com a outra mão.

— Tá. — disse, resignado. — Começa devagar.

— Vai logo, me conta o que eu fiz. Eu briguei com alguém?

— Brigar… eu chamo mais de “coreografia de UFC” — Maurício fingiu pensar. — Vamos lá. Primeiro ato: o bar. Você entrou no local com a cara de quem vai pedir descanso de patente pro santo padroeiro dos teimosos. Eu ainda tava pedindo dois copos d’água quando um peão, que, justiça seja feita, só olhou torto pro seu chapéu, resolveu rir da sua cara molhada de chuva. E você, diplomata como sempre, respondeu com um “repete pra eu entender” que na sua língua significa “tô abrindo inscrição para tomador de soco”.

— Eu… acertei ele? — Taylor quis saber, entre incrédulo e esperançoso.

— Acertou o ar perto dele, que é quase a mesma coisa. — Maurício riu, contando com as mãos. — Mas, por sorte, eu, o Zé da viola e o garçom conseguimos te enfiar num canto antes que virasse faroeste. Aí veio o segundo ato: a mesa.

Taylor fechou os olhos e soltou um “ai” comprido.

— Mesa?

— A maior do centro. — confirmou Maurício, saboreando cada palavra. — Porque, claro, você achou que o mundo merecia uma performance. Subiu como se fosse um palanque, chutou de leve os amendoins para lados opostos e, quando a banda começou a tocar, você… dançou.

— Eu dancei?— perguntou Taylor, resignado, como quem aceita ler sua própria sentença.

— Dançou bonito. — assegurou o amigo, sincero. — Feio não foi, não. Tinha ritmo. Tinha presença. Tinha… falta de noção, mas isso faz parte do charme. Desceu um passinho aqui, girou o cinturão ali, apontou pra plateia como se fosse jurado do rodeio e, quando eu achei que ia dar pra salvar, veio o terceiro ato: o streaptease.

Taylor arregalou os olhos, sentando na cama horrorizado e com medo do que viria a seguir.

— Eu não fiz isso!

— Não inteiro. — Maurício concedeu, generoso. — A camisa, sim. Foi embora com um movimento tão dramático que até o ventilador do teto aplaudiu. O cinto… — ele gesticulou, quase gargalhando. — você começou a desamarrar devagarinho, fazendo carão, e foi nesse exato momento que eu decidi salvar sua honra e a saúde visual dos presentes. Entrei no palco, agradeci a presença de todos, disse que o show tinha acabado e te desci da mesa como quem tira bezerro do cocho.

Taylor jogou o tronco de volta no travesseiro e cobriu o rosto com o antebraço. A risada abafada que ele soltou vinha com um quê de sofrimento.

— Jesus, Maria, José… e o resto da comitiva. — ele murmurou. — Quem estava lá?

— Todo mundo que mora a um raio de quinze quilômetros e alguns turistas perdidos. — Maurício respondeu, rindo. — Mas fica tranquilo: os celulares estavam mais preocupados em filmar a própria mão tremendo de tanto dar risada, então acho que você não virou celebridade no grupo da cidade. Ainda.

— Ainda? — Taylor repetiu, todo desespero que um advérbio pode carregar. — E… tá. Depois disso, eu calei a boca e vim pra casa?

Maurício inclinou a cabeça, o sorriso voltando a nascer.

— Você calar a boca? — ergueu uma sobrancelha. — Amigo, aí é que entra o gran finale. Quarto ato: a declaração.

O silêncio que se abriu no quarto tinha som de coração lembrando algo que não queria lembrar. Taylor, devagar, afastou o antebraço do rosto e fixou os olhos no teto, como se lá tivesse a única coisa estável naquele momento.

— Eu falei… o quê? — ele perguntou baixo, já sabendo que a resposta viria com mais do que palavras.

Maurício não fez cerimônia, mas também não jogou ácido. Tinha riso ali, claro, mas tinha também lealdade.

— Primeiro, chegou logo dizendo: “Olha só… a noivinha de mentira ainda tá acordada… tava esperando o quê, hein?” logo depois: “Eu posso estar bêbado, mas não sou cego. Você fica aí, fingindo que não se importa… mas eu sei. Eu sei que se importa, sim.

— Eu não disse isso!

— E tem mais. “Eu… não preciso de cama… só preciso que ela admita… “Não precisa… eu tô bem… eu… eu só queria ela…” e finalmente o grand finale...

Taylor engoliu seco, o pomo de Adão subindo e descendo.

--- E tem mais?

— Disse que ela tinha o cheiro mais lindo que você já sentiu, e tinha o gosto de … — ele deu uma tossidinha diplomática — “pecado”. Eu, Maria, metade das paredes e, possivelmente, a própria porta registramos tudo.

— Ela ouviu? — Taylor perguntou, e o quarto ficou menor com a pergunta.

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