O som dos passos sobre a trilha de terra abafada ficou cada vez mais nítido, quebrando o silêncio pesado que pairava sobre o riacho. Os pássaros pareceram cessar o canto por um instante, como se até a natureza esperasse para ver o que aconteceria.
Lila sentiu o coração disparar no peito, tão forte que tinha certeza de que Amanda poderia ouvi-lo. O ar, que já estava carregado de tensão, pareceu ganhar um peso extra quando o vulto alto surgiu por entre as árvores, caminhando com passos firmes e decididos.
Taylor.
Ele apareceu de repente, o sol filtrado pelas folhas atrás dele criando um halo dourado ao redor de seus ombros largos. Usava uma camisa xadrez, aberta nos dois primeiros botões, revelando um vislumbre da pele bronzeada, e a calça jeans clara moldava o corpo forte, com as botas gastas afundando levemente na terra úmida. O chapéu de aba larga projetava uma sombra sobre os olhos azuis, mas o brilho neles era impossível de esconder.
Por um segundo, tudo pareceu parar.
Amanda, ainda na água, ajeitou os cabelos molhados, fingindo casualidade, mas o peito arfava sob o sutiã de renda vermelha. Catarina, por outro lado, quase se jogava no chão para conter a vontade de gargalhar, se divertia como quem assistia à sua novela favorita, e agora, com a entrada do protagonista, o episódio tinha acabado de atingir o ápice.
Lila… Lila sentiu o calor subir pelo corpo, apesar da água fria. Sabia exatamente o que via nos olhos dele quando os olhares se encontraram, aquele breve instante de surpresa seguido por um silêncio que dizia tudo o que não podia ser dito. A forma como Taylor a olhou, molhada, os fios de cabelo grudados na pele, a renda preta revelando mais do que escondendo… fez o corpo dela reagir antes mesmo que conseguisse pensar.
Ele pigarreou, como se tentasse afastar qualquer expressão do rosto, e forçou um tom neutro:
— Não sabia que tinham vindo até o riacho.
Amanda foi a primeira a se pronunciar, com a voz carregada de doçura forçada:
— A gente queria se refrescar um pouco… — Ela passou a mão lentamente pelos cabelos encharcados, deixando as gotas de água escorrerem pelos ombros e pelo colo, um convite silencioso. — Tá um calor insuportável hoje, né, Taylor?
Ele desviou o olhar rápido demais, passando uma mão pela nuca, claramente desconfortável com a encenação.
— É… tá quente mesmo. — respondeu, seco.
Ele parou na beira do riacho, apoiando uma mão no cinto, e um sorriso lento surgiu nos lábios.
— E aí… — disse, com a voz rouca, carregada de algo difícil de definir. — A água tá boa?
Ela se aproximou um pouco mais da margem, deixando que a água chegasse à altura do quadril, e falou num tom baixo, quase íntimo:
— Quer entrar também, cowboy? A água tá… deliciosa.
Lila sentiu o estômago revirar e o calor subir pelas bochechas. Mordiscou o lábio inferior, desviou o olhar por um segundo, mas logo voltou a encarar Taylor. Havia algo diferente nele, no modo como a olhava, no silêncio que se estendia entre eles. Era como se, por um instante, só existissem os dois.
Amanda percebeu. E aquilo a consumiu por dentro.
O maxilar de Taylor travou, mas ele manteve o olhar firme, evitando encarar qualquer detalhe além dos olhos dela.

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