Matheus se aproximou, pegou as roupas no chão e as jogou no cesto, para depois puxar a manta de cima do sofá.
A parte de baixo da manta de fato era impermeável, e o sofá estava limpo. Mas as fibras na superfície da manta estavam grudadas umas nas outras.
Matheus enrolou a manta, jogou direto na máquina de lavar no banheiro, despejou o sabão líquido e apertou o botão de lavagem rápida.
A máquina de lavar começou a girar, fazendo zumbidos.
Ele se apoiou no batente da porta do banheiro, tirou um cigarro do bolso e, sem acender, apenas o prendeu nos lábios.
A sua mente ainda estava repassando os eventos daquela noite.
O olhar de Matheus foi escurecendo aos poucos.
Apesar de ele ter batido e jogado o cara para fora naquele dia, ele sabia muito bem que esse tipo de marginal era o pior de se lidar. Se Felipe teve coragem de ir bater na porta de madrugada, significava que já estava de olho em Helena escondido há alguns dias.
Morar no térreo com quintal e acesso fácil era o lado bom.
Mas o lado ruim também era óbvio. Havia privacidade e segurança de menos.
Ainda mais com uma garota tão chamativa morando ali.
Helena tinha uma beleza rara e delicada, diferente das mulheres comuns; sua pele clara brilhava suavemente em qualquer iluminação.
Mesmo que ela apenas vestisse roupas caseiras para regar as flores no quintal ou tomar sol, aos olhos de homens mal-intencionados, ela era como um pedaço de carne gorda que deixava qualquer um babando.
Por outro lado, no momento, ele não podia ficar em casa vigiando vinte e quatro horas por dia.
A empresa passava pelo período mais importante no desenvolvimento do aplicativo. Ele saía cedo e voltava tarde todo dia. Durante o dia, ela ficava sozinha em casa. Se alguém como Felipe aparecesse, ou algum cara ainda mais folgado...
Matheus voltou para a sala e checou de novo as fechaduras, as trancas e a guia da porta de vidro, chegando a empurrar o batente atrás das cortinas, parando apenas ao ter certeza de que não havia nenhum problema.
Ele ficou na frente da porta de vidro do quintal e espiou lá fora pela ponta da cortina.
Pessoas como Felipe não desistem só por levar uma surra; a dor só faria ele guardar rancor e agir pelas costas para se vingar.
Gabriel Porto era da delegacia municipal. Embora não se metesse nesses delitos menores com frequência, a farda dele era uma intimidação natural contra delinquentes como Felipe.
Quando Isadora Porto e sua família se mudassem para o Residencial Gardênia, eles ficariam mais próximos. Ele poderia convidar Gabriel Porto para ir à sua casa tomar um chá vestido com o uniforme de vez em quando.
Só de o Felipe saber que ele tinha conexões, nem se tivesse dez vidas o cara ousaria rodear a área de Helena novamente.
Ao arrumar essas ideias na cabeça, Matheus finalmente foi capaz de abafar aquela fúria sem nome.
A máquina de lavar apitou duas vezes. Tinha terminado.
Matheus pegou a manta já limpa, foi até o quintal e a estendeu no varal.
Depois de estendê-la, ele se virou e voltou para dentro. Trancou a porta, apagou a luz da sala e voltou ao quarto principal.

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