Ela pensava que aquela atitude seria a certa.
— Como as coisas estão correndo no seu trabalho agora? — Ela perguntou. — Ocupada?
Isso alterou a fisionomia de Isadora no mesmo momento, revelando um pouco de frustração.
— Não fale nisso. — Ela uniu as sobrancelhas. — Tem uma estagiária nova de uns vinte e poucos anos recém-graduada. Nem completou três meses e ela já conseguiu me irritar dezenas de vezes.
— Qual é o problema?
— Ela me trata com muita grosseria. — A voz de Isadora tinha as faíscas da raiva embutidas. — Ela ignora tudo o que eu falo, demora dias para entregar qualquer documento que eu peço e às vezes até finge que não me escuta.
Ela pausou e depois complementou:
— Contudo, a situação muda para uma colega da mesma categoria em nosso departamento. Ela concorda em fazer tudo que ela a pede, até mesmo trabalhos como despejar chá e água, além de que a boca dela é sempre doce de se ouvir. Ela a chama de 'Irmã Mais Velha' pra lá e pra cá num estalar de dedos.
— O que essa sua colega tem demais? — Helena ficou curiosa.
— Não tem nada demais. — Isadora negou com a cabeça. — É só porque ela se veste bem, as roupas combinam muito com ela. A estagiária pensou que ela era a líder quando chegou aqui no primeiro dia, mas mesmo assim tem tratado ela com bastante gentileza quando soube que não era.
Helena ouviu atenta, imersa em pensamentos.
— Sabe qual é a melhor piada? — Isadora deu um sorriso torto. — As condições familiares daquela colega são bem piores que as minhas. O marido dela trabalha em uma pequena empresa privada, a família nem tem uma casa comprada, estão em uma alugada, todo o salário que ela ganha no mês é gasto de forma quase inteira em embelezamento.
Ela abriu os braços: — Eu estou no mesmo nível e na mesma ocupação dela. Estamos nas mesmas circunstâncias e eu e ela somos tratadas igualmente por nossos líderes.

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