O Grupo de Moradores - Residencial Magnólias voltou a ficar agitado.
Alguém mandou no grupo o pôster de promoção de uma quitanda que abriu na entrada do condomínio. No começo, o pessoal estava fazendo uma lista para comprar morangos em conjunto, mas, no meio da conversa, o assunto acabou mudando do nada para o apartamento do primeiro andar do Bloco 1, que tinha quintal.
— Ei, o que vocês acham? Aquela inquilina recém-casada do primeiro andar do Bloco 1 não sai de casa nunca? Eu não vi a cara dela quando saí para fazer compras de manhã e também não vi quando voltei ao meio-dia. A cortina ainda estava fechada pela metade.
Assim que ela começou, Dona Dalva, que cria um poodle, entrou na conversa na hora: — Pois é! Eu passo pelo quintal dela todo dia quando vou passear com o cachorro, e nunca vi essa mulher fazer nada de útil. Ou ela fica mexendo nas flores do quintal sem fazer nada útil, ou passa o dia todo mexendo no celular gravando vídeos. Olha a hora, aposto que ainda está em casa dormindo!
Alguns desocupados que costumavam ficar só lendo as mensagens do grupo também começaram a aparecer.
— Essas garotas mais novas de hoje em dia, só porque são um pouquinho mais bonitas, acham que são grandes coisas. Não fazem nada além de comer e ter preguiça.
Dona Olga mandou um emoji torcendo os lábios: — Falando sério, eu tenho muita pena do marido dela. Vocês não prestaram atenção, mas a aparência e o porte dele... ele é alto, bonito e tem uma presença diferente. Sai cedo e volta tarde todo dia, dá para ver de longe que é um homem que se mata de trabalhar lá fora.
Dona Dalva concordou em seguida: — É isso mesmo! O homem trabalha o dia todo sem parar, enquanto ela fica em casa aproveitando a vida sem precisar se esforçar. Um homem tão bom desses, como foi fechar os olhos e casar com uma garota preguiçosa dessas? Ela não bate nem ponto num emprego. Com o passar do tempo, esse homem vai sofrer!
O grupo ficou comentando, julgando Helena da cabeça aos pés.
Helena não estava no grupo. Ela caminhava pelo mercado municipal, a duas ruas do condomínio, carregando uma sacola de pano ecológica.
Hoje estava realmente frio.
Antes de sair de casa, Helena se agasalhou com um sobretudo de lã bege bem grosso e enrolou um cachecol macio de caxemira no pescoço.
Na parte da manhã, ela tinha acabado de editar as fotos das roupas de primavera da Toque de Algodão e enviado para a dona da loja. Também tinha atualizado um diário de looks no Instagram.
Quando voltou para casa, já eram quatro da tarde.
Helena vestiu um aventalzinho, lavou as mãos e começou a trabalhar na cozinha imediatamente.
Primeiro, ela colocou o joelho de porco que comprou na panela com água fria, acrescentou ramos de cebolinha, fatias de gengibre e vinho de mesa branco seco, deixando ferver em fogo alto. À medida que a temperatura da água subia, uma camada de espuma acinzentada flutuava na panela. Com paciência, ela usou uma colher para retirar toda a espuma, depois tirou o joelho e enxaguou-o com água morna.
O presunto foi amolecido em água morna para tirar o sal da superfície e cortado em fatias de espessura uniforme; os brotos de bambu foram descascados, cortados em pedaços irregulares e fervidos rapidamente para tirar o gosto amargo.
Em seguida, ela tirou uma panela de barro grande do armário.
No fundo da panela, forrou algumas fatias de gengibre e nós de cebolinha, e ajeitou o joelho de porco já limpo com cuidado. Ao redor, colocou um círculo de fatias de presunto vermelho e branco intercaladas com os brotos de bambu. Por fim, despejou bastante água fervente, cobrindo todos os ingredientes.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Guarda Frio, Sou Mimada com Todo Seu Amor