A sala de estar finalmente estava em silêncio.
Leo acabou de acordar após dormir no colo de Gabriel por mais de meia hora. Ele parou de chorar, mas recomeçou a resmungar procurando pela mãe.
Gabriel sentiu na pele o que significava "cuidar de uma criança não é só ficar de olho para que não caia".
Na hora de comer macarrão no almoço, Leo reclamou que tinha muitas verduras e se recusou a abrir a boca. Quis beber água após a refeição, mas tinha que ser "um pouco quente, mas nem tanto".
Na metade da brincadeira de blocos, teve um acesso de raiva dizendo que não conseguia montar. Quando ficou com sono, não admitiu estar com sono e insistiu em querer a mãe, soluçando de tanto chorar.
Gabriel teve que acalmá-lo, dar comida, brincar com ele e correr da sala até a cozinha sem parar, até começar a suar na testa.
Naquele instante, ele finalmente se sentou no sofá segurando Leo, que já havia acordado. O pequeno se encolheu de forma molenga em seu abraço, com o cabelo um pouco espetado pelo sono e segurando o Dinossauro de Pelúcia na mão.
Gabriel olhou para o filho, recostou-se para trás e soltou um longo suspiro, como se toda a sua força tivesse sido drenada.
— Essa criança... — Ele suspirou baixinho. — Tive que aguentar muito hoje.
Matheus estava sentado na poltrona. Ele estava com a tigela infantil vazia nas mãos e, assim que se preparava para se levantar e lavá-la na cozinha, olhou para o amigo ao ouvir a fala.
— A Isadora sempre cuida dele sozinha? — Ele perguntou.
— Sim. — Gabriel soltou um sorriso amarelo. — Na maior parte do tempo, é ela. Antigamente, eu achava que era só cuidar de uma criança. Hoje entendi que a história não é bem assim.
Leo apoiou-se no colo dele e disse com a voz baixa: — Pai, estou com saudades da mãe.
— A mãe já vai voltar. — Gabriel abaixou a cabeça para acalmá-lo de imediato, com um tom de voz incrivelmente mais baixo do que costumava usar na rua. — Espera mais um pouquinho que a mãe volta.
Leo assoou o nariz, abraçando-o pelo pescoço, mas não chorou mais.
Nesse instante, o som da chave girando surgiu na porta.
Gabriel e Matheus ergueram a cabeça quase ao mesmo tempo.
Ele fez toda a sequência de movimentos de forma ágil e desajeitada.
Era uma cena bem rara ver o amigo entrar em pânico daquele jeito, o que fez com que os cantos dos lábios de Matheus se contorcessem de leve de onde estava.
— Vão com cuidado. — Ele falou.
Gabriel o olhou e resmungou de mal humor: — Não ria. Vai ver só quando tiver um filho também.
Assim que falou, segurou Leo no colo, pegou a mochila e saiu pela porta a toda velocidade.
...
No térreo, o carro de Isadora estava parado perto da fileira de vagas na entrada do condomínio.
Ela não desceu, apenas sentou em silêncio no banco do motorista e esperou. A janela do carro estava um pouco aberta, deixando a brisa de início de primavera entrar. Ela ergueu a mão para colocar alguns fios de cabelo soltos atrás da orelha e abaixou a cabeça para olhar seu reflexo no retrovisor.

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