Era raro ela se arrumar daquele jeito. Sentada no banco do motorista, até ela mesma sentia algo meio irreal.
Enquanto pensava, um adulto e uma criança saíram pela porta do prédio.
Leo viu a mãe logo de cara e se agitou nos braços de Gabriel: — Mãe!
Isadora abriu um sorriso e empurrou a porta para descer.
— Ah, meu benzinho. — Ela mal se inclinou e Leo já pulou em seus braços, envolvendo o pescoço dela sem soltar. — Você ficou com saudades?
— Fiquei! — Leo reclamou com uma vozinha mimada. — O pai não sabe cuidar de mim!
Gabriel: ...
Ele ficou ao lado do carro e ainda não tinha se acostumado em ter os braços vazios.
Então, ele ergueu os olhos e avistou Isadora.
Isadora vestia uma camisa de seda rosa esfumaçado com tecido suave e gola meio aberta, o que deixava o pescoço e as clavículas finas à mostra. Seus lábios tinham uma cor delicada. Sob a luz do fim de tarde, ela parecia tão suave e cheia de vida, com uma leveza feminina que ele não via nela há muitos anos.
Gabriel ficou lá, sem dizer nada por um bom tempo.
Isadora segurou Leo e olhou para ele: — O que você está olhando?
Gabriel enfim falou, e a sua voz até engasgou. — Hoje você está... muito bonita, mesmo sem palavras para explicar como.
— A Helena quem me ajudou a escolher. — Isadora ficou meio constrangida.
— Ela escolheu muito bem.
Ela abaixou a cabeça para ajustar a gola de Leo, mas não conseguiu evitar de levantar os cantos da boca.
Aninhado nos braços dela, Leo olhava para o pai e para a mãe. Ele bateu palmas feliz de repente e disse: — Mãe, você é tão bonita quanto as atrizes da televisão!
Isadora: ...
Gabriel não resistiu e soltou uma risada baixa.
— Mas a gente tem que jantar primeiro. — Helena disse em voz baixa. — O que você comeu no almoço?
— Macarrão com verduras.
Na verdade, tanto ele quanto Gabriel sabiam fazer alguma comida caseira. Porém, sendo homens em casa, e com uma criança para tomar conta, na maioria das vezes, comer o suficiente já bastava.
Nenhum dos dois tinha energia para preparar nada extravagante, então fizeram o mais simples macarrão com verduras.
Desde que se juntou a Helena, Matheus também ficou com o paladar um tanto exigente por culpa dela.
Mesmo que pudesse sair para beber com o pessoal da empresa nos dias normais, ele não sentia tanta vontade, e queria voltar para comer em casa.
Sendo assim, mesmo a empresa de Matheus sendo cheia de homens, o clima de beber e cantar no karaokê não existia por lá.
Helena não sabia se ria ou se chorava. Os dois marmanjos tomaram conta da criança e comeram apenas macarrão com verduras.
Ela sabia que Matheus era um grande fã de carne. Do jeito que era forte e alto, não conseguiria ficar numa dieta tão leve.

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