O vento que vinha do lago trazia um frescor levemente úmido.
Helena apontou para a pedra grande dizendo que queria sentar. Matheus olhou; a pedra era lisa, mas a superfície tinha um pouco de poeira e folhas secas de salgueiro.
Ele não disse nada; aproximou-se, tirou alguns lenços de papel do bolso e se curvou para limpar a superfície da pedra com cuidado.
Primeiro, tirou as folhas secas e as pedrinhas; depois, passou o lenço para tirar a poeira e, por fim, testou a temperatura com a palma da mão: estava morninha pelo sol, não muito quente, na medida.
— Pode sentar. — Ele se endireitou, amassando os lenços usados e segurando-os na mão.
Helena sentou-se comportada na pedra e percebeu que estava realmente limpa e quentinha; era muito confortável.
Matheus voltou ao carro, pegou a sacola de frutas no banco de trás e tirou uma garrafa de água mineral do porta-luvas.
Ele voltou, abriu a garrafa e despejou a água nas mãos estendidas dela.
— Lava aí — ele disse.
A água fresca escorreu pelos dedos dela, limpando a poeira e o suor da estrada. Ele estendeu outro lenço de papel para ela secar as mãos.
Em seguida, ele escolheu uma maçã lavada da sacola, esfregou na própria roupa duas vezes e entregou na mão dela.
— Come isso primeiro.
Helena pegou a maçã e deu uma mordida; o suco doce e crocante espalhou-se pela boca, com o frescor típico das frutas de início de verão.
Ela comia a maçã enquanto olhava para as águas do lago e as montanhas ao longe, e às vezes virava a cabeça para olhar Matheus em pé ao seu lado.
Ele abriu sua própria garrafa de água, bebeu dois goles de pé, com o olhar focado nas montanhas do outro lado do lago, os ombros relaxados e a postura descontraída.
O vento levantou a barra de sua camiseta preta, revelando uma linha firme de cintura.
Ela encarou a cena por um momento, e seu rosto visivelmente fechou-se; o olhar dela transbordava um claro tom de inveja e indignação.
Na visão dela, Matheus era alto e bonito, dirigia um sedã branco novinho em folha, claramente um homem de sucesso.
No entanto, um homem daqueles estava agindo como um criado, limpando pedra, servindo água, dando frutas para aquela mulher com cara de exibida que parecia frágil demais.
Ela mesma se matava de trabalhar dentro de casa, enquanto o marido nem se dava ao trabalho de ajudar a cuidar da criança.
Com que direito aquela mulher tratava o homem como se fosse um asno de carga, e com tanta prepotência?
Homens nasceram para fazer grandes coisas, não para ficar servindo água e lavando as mãos de mulheres. Aquela mulher estava tratando um homem tão bom muito mal.
A mulher de meia-idade, quanto mais olhava, mais aquilo ardia em seus olhos. Ela revirou os olhos sem conseguir se conter e resmungou baixinho: — Com essa cara toda de donzela bonita, dá para perceber que ela não é uma boa pessoa.

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