Helena não ouviu o que ela resmungou, apenas sentiu que o olhar da mulher não era amigável, desviou a visão e continuou a comer sua maçã.
Depois de terminar a maçã, tirou um biscoito de cranberry da sacola e deu uma pequena mordida.
O biscoito estava crocante e assado; o aroma de manteiga misturado ao doce e azedo do cranberry tinha um sabor muito forte.
O menino gordinho, que estava brincando na lama ali perto, parou de repente e fixou os olhos diretamente no biscoito na mão de Helena.
O menino já era guloso; quando sentiu o cheiro, começou a babar.
Ele puxou a blusa da mãe: — Mãe, quero comer aquele biscoito na mão daquela moça.
A mulher de meia-idade olhou para a caixa de biscoitos na mão de Helena, revirando os olhos.
Ela já não tinha ido com a cara de Helena; aquela era uma ótima oportunidade para testar o terreno usando a criança e de quebra causar algum desconforto na outra.
— Que moça o quê? Já tem idade para ser mãe. Vai lá, vai pedir para aquela senhora. — A mulher empurrou as costas do menino. O tom de voz dela era exato o suficiente para que Helena ouvisse. — Ela tem um monte, com certeza vai te dar um.
Ao ouvir isso, o menino imediatamente correu com as perninhas curtas, parou na frente de Helena e estendeu a mão gordinha: — Quero biscoito.
Helena ficou surpresa. Ao olhar para aquele menino com as mãos sujas de lama e catarro escorrendo no canto da boca, ela franziu levemente a testa.
Ela, na verdade, não era mão de vaca.
Normalmente, no condomínio, quando o pequeno Leo, filho de Isadora, ia visitá-la, ela sempre arrumava um jeito de preparar coisas gostosas. Mas isso era porque todos se conheciam; eram amigos e vizinhos.
Mas ali na frente, havia uma criança completamente estranha.
A mulher, ao ver a cena, andou rápido até lá, puxou o menino gordinho para cima com uma mão, virou-se e encarou Helena, com uma voz esganiçada:
— Por que você é tão mesquinha? É só um simples biscoito! Qual o problema de dar um para a criança que quer comer? Você é adulta, por que fica implicando com uma criança?
Ela falava com tanta convicção que parecia que Helena não dar um biscoito era um crime imperdoável.
Helena deu uma risada de raiva ao ver aquela postura de acusar a vítima.
— Senhora — ela permaneceu sentada na pedra, sem sequer mudar de posição —, as coisas são minhas. Eu dou se eu quiser, e se não quiser, não dou. Se o seu filho quer comer, você deveria ir comprar para ele, em vez de mandá-lo pedir para estranhos. Fazer birra e rolar no chão quando não consegue, é essa a regra que você ensina?
— Não vem com discursinho para cima de mim! — a mulher ficou furiosa de vergonha. — Quem você pensa que é? Com essa sua aparência, não sei que tipo de coisas duvidosas você anda fazendo! Não tem filhos, não tem um pingo de amor no coração.

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