Ao meio-dia, os dois arrumaram as malas e se prepararam para o check-out.
Helena havia entrado nas fontes termais na noite anterior e novamente de manhã; sua pele estava tão hidratada e macia que brilhava, irradiando vitalidade de dentro para fora.
Matheus caminhava ao seu lado carregando a mala, usando uma camiseta preta, calça cinza-escura, e com os óculos de sol presos na gola; seus passos não eram nem rápidos nem lentos.
Ao chegarem à recepção, havia um hóspede na frente fazendo o check-out.
Era um homem jovem, com cerca de vinte e cinco ou vinte e seis anos. Usava uma camisa casual cinza-clara de excelente qualidade, tinha uma figura esguia e usava óculos de armação dourada no rosto. Só de olhar para suas costas e seu perfil, ele exibia uma aura elegante e refinada.
Helena deu uma olhada casual, achou o perfil dele levemente familiar, mas, não conseguindo se lembrar de onde o conhecia naquele momento, não se importou e ficou em silêncio ao lado de Matheus esperando.
O homem terminou os procedimentos, pegou a nota fiscal da recepção e virou-se para sair.
Seu olhar passou por perto acidentalmente, e seus passos pararam de repente.
Os olhos do homem caíram no rosto de Helena, e por trás dos óculos dourados, um flash de surpresa evidente cruzou seu olhar.
— Helena? — Ele chamou hesitando, com uma voz agradável.
Helena ficou surpresa, levantou a cabeça e analisou o homem à sua frente.
— Enzo? — Ela soltou com espanto.
Enzo, o irmão de sua melhor amiga da adolescência, Vitória Valente.
No passado, a Família Rezende e a Família Valente eram vizinhos no mesmo condomínio de luxo, e as famílias tinham um bom relacionamento. Helena e Vitória brincavam juntas frequentemente, e costumavam ver Enzo, que era alguns anos mais velho. Mais tarde, os negócios da família Valente cresceram, eles se mudaram para a área mais rica de Porto Real, e Enzo logo foi estudar no exterior.
Fazendo as contas, já fazia quatro ou cinco anos desde que se viram pela última vez.
— É você mesma, achei que tinha confundido. — Enzo deu dois passos mais perto, sorrindo, e seu olhar demorou no rosto dela.
Como um jovem herdeiro, Enzo, assim como outros em seu círculo, não gostava de lidar com pessoas que vieram da classe baixa. Eles achavam que essas pessoas agiam de forma suja, selvagem e sem limites; mesmo os novos ricos de origem humilde seriam rejeitados por eles.
Enzo entendeu a situação, manteve um sorriso elegante nos lábios e olhou para Helena: — Helena, esse é seu namorado?
Ao ouvir a pergunta, Helena não hesitou, em vez disso, se inclinou naturalmente na direção de Matheus e segurou seu braço.
— Não é meu namorado. — Seu tom era natural. — É meu marido, Matheus.
— Helena, você tem apenas vinte e um anos, não tem? Ainda está na faculdade, como já se casou?
E como Alberto Rezende permitiria que a filha que ele criou com tanto cuidado se casasse com um homem que não parecia ter nenhum status?
— Enzo, você acabou de voltar para o país, então talvez não saiba. — Helena usou um tom calmo. — Na verdade, eu não sou filha biológica da Família Rezende. Depois que tudo ficou claro no ano passado, eu deixei a Família Rezende.

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