Como o casal já havia proposto a despedida, de jeito nenhum Dona Célia ousaria ficar mais, arrastando Lívia porta afora, envergonhadas.
No corredor, Dona Célia puxava Lívia escada acima.
— Você viu a atitude dela! Que tipo de educação é essa! — Dona Célia xingava em voz baixa enquanto caminhava. — Eu venho cheia de boas intenções com presentes para agradecer, conversar mais algumas palavras com ela é porque a valorizo, e ela me vem com essa de nos expulsar diretamente! Não sabe nem ser diplomática, isso é uma garota selvagem sem educação dos pais!
Lívia caminhava atrás, com o rosto também nada amigável.
Na cabeça dela ainda passava a cena de Matheus parando na frente de Helena e dizendo friamente "cuidado ao sair, não vou acompanhá-las".
Um homem tão bonito e tão capaz, por que ele seria tão devotado àquela mulher sem educação?
— Mãe, fale menos. — Lívia puxou a alça da bolsa um pouco irritada. — Eles não gostam que você fique investigando a vida deles, e você insiste em perguntar.
— E qual é o problema de eu perguntar? Isso não é me importar com ela? — Dona Célia não aceitava. — Além disso, qual palavra do que eu disse não é verdade? Ela, uma universitária que nem se formou, sendo sustentada por um homem, as pessoas não podem nem falar?
Ao chegar no terceiro andar, Dona Célia tirou a chave para abrir a porta.
Depois de entrar em casa e trocar os sapatos, ela nem bebeu um gole de água e já puxou Lívia para sentar no sofá, mudando o tom, que agora trazia alguns traços de cálculo.
— Lívia, você disse agora há pouco que a empresa daquele Matheus se chama Swift Express? É muito boa?
A pessoa mais rica que ela já tinha visto na vida era seu primo distante que tinha uma fábrica e ganhava cerca de um milhão por ano, e ele já andava com o nariz empinado.
— Minha nossa... — Dona Célia deu um tapa forte na própria perna, com as tripas se revirando de arrependimento. — Ele não é só um bom partido, é uma verdadeira oportunidade de ouro! Como eu deixei aquela diaba do primeiro andar ficar com isso de graça!
Quanto mais ela pensava, mais sentia que não era justo. Ela virou a cabeça e olhou para a filha, dizendo com seriedade: — Lívia, quando você for procurar um namorado no futuro, tem que ficar de olhos bem abertos. Você também tem que achar um homem capaz como o Matheus. Nossa família pode ter uma base, mas quando o seu irmão for casar e comprar uma casa, vai gastar muito dinheiro. Se você encontrar um marido rico, quando se casar, poderá ajudar mais o seu irmão.
— Mãe, você acha que homem rico dá em árvore, que é só estender a mão e pegar? — Lívia entortou a boca, com um tom de sarcasmo. — Na sociedade de hoje, tirando os playboys que dependem dos pais, homens que construíram tudo sozinhos do zero, que têm capacidade e são bonitos como o Matheus, já foram alvo de outras mulheres há muito tempo. Como iria sobrar?
— Isso não é certeza. — Os olhos de Dona Célia giraram. — Homens, sabe, ficam ruins fácil quando têm dinheiro. Aquela Helena do primeiro andar, tirando ser bonita, não tem histórico familiar nem emprego. Quando o Matheus realmente virar um grande chefe no futuro e tiver contato com pessoas influentes, ele terá vergonha de levá-la para eventos sociais. Um casamento assim, não vai durar.

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