Na calada da noite, até o som ocasional de carros passando sumiu nas ruas da cidadezinha.
No quarto, o ar-condicionado velho emitia um zumbido monótono e abafado. A cortina era muito fina e deixava entrar um pouco da luz amarelada dos postes da rua, mal delineando os contornos lá dentro.
Matheus não conseguia dormir.
A cama era muito estreita, o colchão era duro e afundado, mas o motivo da sua insônia não era esse.
A pessoa em seus braços dormia profundamente, e a respiração dela caía de leve no peito dele. Ela estava com o cheiro do sabonete líquido barato do hotel, mas misturado com aquele cheiro limpo e macio que era só dela, aquilo apertou seu coração.
Hoje na fábrica, ao vê-la discutindo logicamente com aquele sujeito esperto, vendo como ela não recuava por causa de sua carreira, um certo sentimento no peito de Matheus já havia sido aceso.
Ele olhou para o rosto adormecido dela e não pôde deixar de apertar os braços.
Helena se mexeu ao ser abraçada por ele, seus cílios tremeram levemente e ela abriu os olhos meio grogue.
Pela pouca luz que entrava da janela, ela viu que Matheus estava olhando para ela.
O olhar do homem era intenso, com um pouco de calor reprimido por muito tempo.
— Te acordei? — A voz dele estava rouca.
O sono de Helena quase sumiu, e suas bochechas esquentaram.
Ali não era a casa deles, era um hotelzinho barato. O isolamento acústico era péssimo, dava para ouvir claramente até os passos ocasionais no corredor.
Mas, ao olhar para Matheus, a imagem dele ao seu lado no escritório da fábrica hoje à tarde, dando-lhe apoio com aquela postura inquestionável, passou por sua cabeça de repente.
Ele sempre era assim.
Bloqueava os problemas dela silenciosamente, e nunca falava muito.
O coração de Helena amoleceu; ela estendeu a mão, abraçou o pescoço dele e murmurou: — Não.

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