— Matheus...
Ela soltou um gritinho e o abraçou pelo pescoço por reflexo.
Matheus a carregou para dentro do banheiro apertado ali perto.
A luz do banheiro estava apagada, apenas um pouco da iluminação fraca lá de fora entrava. Os azulejos eram velhos, havia manchas de água na beirada da pia, e não parecia nada romântico.
Mas era justamente nesse lugar tão simples e desgastado que aquela intimidade inegável entre os dois ficava ainda mais palpável.
Matheus desocupou uma mão e ligou o chuveiro no escuro.
O barulho da água caindo soou.
A água bateu no piso de cerâmica, fazendo um barulho contínuo.
Helena foi pressionada contra ele, e o rosto dela quase queimava de tão vermelho.
— Você...
Assim que ela abriu a boca, Matheus a beijou e engoliu o resto das palavras.
O som da água foi ficando mais alto, cobrindo aos poucos os barulhos mais sutis dentro do banheiro.
No espaço apertado, o vapor espalhou-se devagar.
As paredes velhas, o chuveiro enferrujado e a pia barata ficaram borrados pelo escuro e pela névoa.
Helena só conseguiu agarrar os ombros dele e esconder o rosto no pescoço do homem.
Tudo o que aconteceu em seguida ficou guardado na escuridão, abafado pelo som contínuo da água caindo.
...
Não sabia quanto tempo tinha passado, mas o som da água finalmente parou.
O banheiro estava cheio de vapor.
Helena já estava tão exausta que não queria nem falar, seu corpo estava mole nos braços de Matheus, e os cantos de seus olhos ainda estavam um pouco vermelhos.
Matheus abaixou a cabeça e beijou a bochecha dela, avermelhada pelo vapor.



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