— Viagem de negócios?
Helena abraçou a bolsa nova e, a princípio, ficou paralisada.
Matheus murmurou em concordância e explicou brevemente que iria para Rio Claro no dia seguinte, ficaria três dias e voltaria no domingo à tarde.
Helena ouviu em silêncio, sem demonstrar muita relutância.
Ela pensou um pouco e achou que isso era muito normal.
A Swift Express estava cada vez maior, e já não era mais a pequena barraca que ficava restrita a algumas áreas universitárias de Porto Real.
Já que precisavam expandir para outras cidades, negociar parcerias e encontrar sócios, as viagens de negócios de Matheus seriam apenas uma questão de tempo.
Eram apenas três dias.
Não trinta.
Além disso, ele iria a trabalho, não a passeio.
— Ah. — Ela assentiu, aceitando a notícia rapidamente. — Então, quando você vai?
— Amanhã às dez da manhã, no trem-bala.
— Que bom, não é tão cedo assim. — Helena colocou a bolsa de lado e se levantou. — Deixa comigo, eu arrumo suas coisas.
Matheus olhou para ela: — Não precisa, vou levar só umas duas peças de roupa para trocar.
— Como assim não precisa? — Helena já estava caminhando naturalmente em direção ao quarto principal. — Você vai se reunir com pessoas e negociar negócios, não vai ficar fazendo trabalho braçal. Tem que levar camisa, terno, gravata, pijama e itens de higiene.
Matheus a seguiu e, vendo-a abrir o guarda-roupa e pegar uma mala pequena com movimentos ágeis, não pôde evitar um leve sorriso.
Ele tinha acabado de pensar que provavelmente pegaria duas roupas quaisquer e iria embora.
Mas agora, vendo-a arrumar esses pequenos detalhes com tanta dedicação, seu coração se acalmou inexplicavelmente.
Helena pegou primeiro o terno cinza-escuro recém-comprado e o pendurou, depois escolheu uma camisa branca engomada e uma gravata escura.
— Você me avalia muito bem.
— A nota já era alta. — Helena nem levantou a cabeça. — Eu não sou cega.
Ele ficou sem palavras.
Apenas ficou observando-a agachada ao lado da mala, organizando tudo perfeitamente, até enrolando as gravatas e colocando-as em um saquinho especial. Sentiu o peito se encher de algo lentamente.
...
O tempo foi passando enquanto arrumavam as coisas.
Por volta das dez horas, os dois se lavaram e voltaram para o quarto. O ar-condicionado soprava uma brisa fria e o quintal lá fora estava silencioso, apenas com o som ocasional de insetos.
A princípio, Helena não sentiu nada demais.
Ela até se sentou na beirada da cama para conferir mais uma vez os documentos que Matheus levaria no dia seguinte: — A identidade está aí, a passagem do trem-bala está no celular, e leve o porta-cartões também, caso precise trocar contatos...

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