— Uhum. — Matheus estava sentado na cama, olhando para ela.
Ele respondia a cada frase que ela dizia.
O tom era monótono, mas paciente.
Mas quando a luz foi apagada, deixando apenas a Luminária de Cabeceira mais fraca acesa, Helena se deitou debaixo das cobertas. Ao sentir o cheiro familiar do gel de banho nele, aquela relutância tardia começou a aparecer aos poucos.
Ela se virou e se esfregou lentamente na direção dele.
Matheus estava encostado na cabeceira, checando as mensagens no celular. Sentindo aquele corpo macio se encostar nele, abaixou a cabeça para olhá-la.
— Ainda não dormiu?
Helena não respondeu, apenas esticou a mão e abraçou o braço dele.
Ela o abraçou com força, pressionando o rosto contra seu braço, como um animalzinho que de repente sentiu muita necessidade de carinho.
O olhar de Matheus parou por um instante; ele bloqueou a tela do celular e o colocou no criado-mudo.
— O que foi? — Ele levantou a mão e afagou os cabelos dela.
Helena apoiou a cabeça no braço dele e, após um momento de silêncio, falou baixinho: — Não quero que você vá.
A voz soou fraca, carregando um constrangimento que até ela mesma achou inexplicável.
A mão de Matheus parou no topo da cabeça dela, e seu olhar se suavizou instantaneamente.
— São só três dias. — Ele disse.
— Eu sei. — Helena murmurou, abafada. — Racionalmente, eu sei. São apenas três dias, não é tanto tempo. Mas quando deitei agora, me lembrei de que, desde que casamos, você volta para casa todas as noites.
Ao dizer isso, até ela mesma achou incrível.
Não percebia isso antes.
Mas, pensando bem, era a mais pura verdade.
Por mais ocupado que estivesse durante o dia e por mais tarde que chegasse, ele sempre voltava. Ela já estava acostumada a ouvir o barulho da fechadura à noite, acostumada a vê-lo entrar com o cheiro da rua, acostumada a tê-lo ao seu lado quando dormia.
Essa seria a primeira vez que dormiriam separados por três noites.
Matheus abaixou a cabeça e a olhou.
Ela abraçava seu braço, com o rosto levantado, os olhos ansiosos e um toque de dependência do qual nem ela mesma tinha total consciência.
Era de amolecer o coração.
— Já reservou o hotel? — Ela perguntou. — Onde vai ficar? É seguro? Fica longe do lugar onde vão negociar?
— Eu volto logo. — Ele disse.
— Sim.
— Como você vai estar sozinha, tranque bem as portas à noite e deixe a luz do quintal acesa.
— Eu sei.
— Se precisar de alguma coisa, me liga.
— Sei.
— Se a Lívia e a mãe dela aparecerem, não abra a porta se não quiser.
Helena não conseguiu evitar um sorriso: — Por que você ainda lembra delas?
— São irritantes.
— Sim, bem irritantes.
Depois de dizer isso, aquela saudade no peito se dissipou um pouco.
Ela ergueu o rosto, olhou para o rosto dele tão perto, inclinou-se de repente e lhe deu um leve beijo no canto dos lábios.

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