— Não tenho nada contra você. — Lívia continuou, até com um leve tom de superioridade na voz. — Mas acho que as mulheres com capacidade de verdade ganham o próprio dinheiro para gastar. Olha para mim, vou me formar em junho e já vou trabalhar numa empresa, bancando minhas próprias despesas. E você, nem um emprego decente tem, só sabe passar o cartão de um homem. Quantos dias você vai conseguir viver assim? E se um dia o Matheus não quiser mais?
Depois de terminar de falar, ela inclinou a cabeça para olhar para Helena.
O ambiente estava muito silencioso.
O sol da tarde brilhava forte sobre o caminho, espalhando um calor intenso por todo o lugar.
Helena continuou parada, segurando as sacolas de compras. Olhando para aquele rosto cheio de si à sua frente, a sensação em seu peito passou de mera impaciência para puro choque.
Ela já tinha vivido vinte e um anos, visto pessoas interesseiras, invejosas, gente que falava mal pelas costas. Mas alguém que usasse a desculpa da preocupação para lhe apontar o dedo na cara e ensinar como deveria viver, essa era a primeira vez.
— Lívia, — ela abriu a boca, a voz não muito alta, mas cada palavra saiu muito clara —, o dinheiro do meu marido é o meu dinheiro.
Lívia piscou.
— Eu gasto como eu quiser. — A postura de Helena estava extremamente relaxada. — Se eu gastar milhares hoje e dezenas de milhares amanhã, isso é assunto do nosso casamento.
— Não cabe a quem é de fora se intrometer.
Ela olhou nos olhos de Lívia e curvou os cantos dos lábios: — Se você é tão capaz, pare de se preocupar com onde o dinheiro do marido dos outros está sendo gasto, e preocupe-se com o quanto você vai conseguir ganhar no futuro.
Depois de dizer isso, ela se virou, segurou as sacolas de compras e entrou com calma pelo portão de ferro do próprio quintal.
O portão de ferro se fechou suavemente atrás dela.
Lívia continuou parada no mesmo lugar, parecendo cravada no chão.
Seu rosto ficou ora vermelho, ora pálido, e, no fim, ganhou uma cor pálida de raiva.
"O dinheiro do meu marido é o meu dinheiro, eu gasto como eu quiser."
Essa frase ecoava na mente dela sem parar, e a cada vez, o nó na garganta e a sensação de inveja só ficavam mais intensos.
Com base em quê?
Como ela conseguia dizer aquilo com tanta convicção?
Como podia não fazer nada e mesmo assim ter alguém que a deixava gastar dinheiro de boa vontade?
Ela cortou a carne em cubos, ferveu em água quente para retirar as impurezas e depois colocou tudo numa panela de barro, adicionando fatias de gengibre e vinho de cozinha, e deixou cozinhar devagar.
Um aroma de carne começou a se espalhar pela cozinha.
Ela se encostou perto do fogão e pegou o celular.
Organizou de novo no bloco de notas as coisas que Adriana havia dito hoje.
A sugestão de Adriana, na verdade, era muito tentadora.
Abrir uma loja em parceria, focar num preço médio alto e criar uma marca própria parecia ter muito mais futuro do que simplesmente aceitar publicidade.
Mas o problema era: esse caminho realmente daria certo?
O comércio eletrônico havia surgido há poucos anos, e algumas pessoas com um pouco de fama na internet nem mesmo conseguiam ganhar dinheiro com isso.
Helena procurou por um bom tempo em fóruns e no Instagram, encontrando alguns casos representativos.
A primeira que encontrou foi uma influenciadora chamada "Luana Sol".

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Guarda Frio, Sou Mimada com Todo Seu Amor